Descubra os diversos métodos de preparo do café: um guia completo

Café curto ou longo? Carioca ou americano? E como se diferenciam um latte de um cappuccino? Para os amantes de café, o cardápio de uma cafeteria pode parecer descomplicado à primeira vista, mas esconde uma variedade de termos, métodos e opções. Por isso, elaboramos um glossário do café que explica, de forma clara, as diferenças entre as bebidas e o que caracteriza cada xícara.

Para facilitar nossa compreensão e desvendar os segredos do café, entrevistamos Julia e Nádia Nasr, fundadoras do Café Por Elas, além da coffee ambassador da Nespresso, Tatiana Nakamura. Acompanhe nosso glossário!

LEIA MAIS: Especialistas revelam como preparar o café ideal – do método coado ao espresso

O que é extração?

O termo “extração” é frequentemente mencionado em discussões sobre café e refere-se ao processo pelo qual a água dissolve os compostos do café moído. Os ácidos, açúcares, óleos e compostos amargos são extraídos em momentos distintos, com o intuito de alcançar um equilíbrio entre eles.

Quando um café é subextraído, significa que a água não conseguiu retirar a quantidade adequada dos compostos disponíveis. O resultado pode ser uma bebida ácida, rala ou até mesmo com uma sensação salgada e final curto. Fatores como moagem muito grossa, temperatura da água inadequada ou tempo de infusão insuficiente podem causar isso.

Por outro lado, um café superextraído ocorre quando a água extrai compostos em excesso. Isso resulta em uma bebida amarga e adstringente, que pode deixar a boca seca. Causas incluem moagem fina demais, água muito quente ou tempo excessivo de contato.

Moagens variadas: fina, média ou grossa?

A moagem refere-se ao tamanho das partículas resultantes da quebra do grão e influencia diretamente na velocidade da extração. Em geral, quanto maior for o tempo de contato da água com o café, mais grossa será a moagem.

Para ilustrar melhor essa ideia, as proprietárias do Café Por Elas utilizam o açúcar cristal como referência. A moagem fina possui partículas menores que as do açúcar e é típica do espresso; já a moagem média se assemelha ao açúcar cristal e é utilizada em métodos como coado, V60, Clever e Aeropress. A moagem grossa apresenta partículas maiores e é indicada para métodos onde o café permanece mais tempo em contato com a água, como na prensa francesa ou no cold brew. Não se preocupe! Explicaremos todos esses termos logo mais!

Percolação, infusão, pressão e filtragem: entenda esses termos!

Embora possam parecer técnicos à primeira vista, esses nomes descrevem essencialmente como a água interage com o café.

Percolação acontece quando a água passa pela camada de café por gravidade, extraindo os compostos ao longo do caminho. Esse método é utilizado em técnicas como coado, V60 e Chemex.

Infusão ocorre quando o café fica imerso na água durante um período específico antes de ser separado. É assim que funcionam a prensa francesa e o Clever.

A extração por pressão envolve forçar a água através do café; o espresso é o principal exemplo disso, embora moka e Aeropress também utilizem esse princípio em intensidades variadas.

Filtragem refere-se à etapa de separação entre o pó e a bebida finalizada. Essa separação pode ser feita através de filtros de papel, pano ou metal e aparece em vários métodos diferentes.

DIVERSOS TIPOS DE PREPARO

O espresso


Foto: Pexels

Antes de abordar os diferentes métodos de preparo do café, é fundamental conhecer a base que compõe grande parte das bebidas servidas nas cafeterias: o espresso. Tradicionalmente preparado com água quente passando sob pressão por uma dose de café moído fino e compactado durante cerca de 25 a 30 segundos. O resultado é uma bebida pequena em volume que apresenta corpo robusto, aromas concentrados e a famosa crema na superfície.

“O espresso reflete uma série de boas escolhas feitas durante seu preparo. Ele atua como uma lente que revela tanto as qualidades quanto os defeitos do grão”, esclarece Julia Nasr. Por isso mesmo fatores como moagem adequada, quantidade correta de café utilizado, temperatura da água e tempo da extração são cruciais para um bom resultado final.

Na prática, essa combinação exige ajustes constantes no preparo do espresso. “Como o grão está sempre mudando após a torra devido à umidade ambiente e temperatura local, é necessário calibrar frequentemente para garantir consistência”, complementa Nádia Nasr.

Café curto, longo ou duplo?


Foto: Pexels

Os termos relacionados ao volume de café podem causar confusão inicialmente; no entanto ajudam na compreensão das diferentes opções apresentadas nas xícaras. O café curto (ou ristretto) utiliza menos água que o espresso tradicional resultando em menor volume. “A quantidade de pó utilizada permanece igual; no entanto a extração é interrompida mais cedo”, afirma Julia. Assim obtém-se uma bebida concentrada com cerca de 15 a 20 ml.

No extremo oposto está o café longo (ou lungo), onde uma quantidade maior de água passa pelo pó aumentando assim o volume final da bebida – podendo atingir cerca de 110 ml – oferecendo geralmente um sabor mais suave apesar de possíveis notas amargas devido à extração prolongada segundo Tatiana Nakamura.

Os termos duplo ou doppio referem-se normalmente à preparação com duas doses de espresso. “Esses termos significam essencialmente que se trata de uma dose dupla”, explica Julia; enquanto “doppio” vem do italiano significando precisamente “duplo”. Frequentemente essa dose dupla serve como base para bebidas à base leite afim que não perca seu sabor entre outros ingredientes.

Espresso versus americano e carioca


Foto: Pexels

Embora o espresso seja concentrado por si só tanto o americano quanto o carioca utilizam essa base acrescentando mais água ao preparo original. No caso do americano ocorre adição direta de água quente ao espresso já preparado aumentando seu volume enquanto suaviza seu corpo.

O carioca segue lógica similar mas recebe menos água; “é nossa versão brasileira do espresso”, comenta Tatiana; após preparar um cafezinho curto adiciona-se água quente para diluí-lo ligeiramente tornando-o mais suave.

Entretanto essas definições não estabelecem proporções fixas; “As medidas variam bastante entre diferentes cafeterias então vale sempre confirmar com seu barista”, sugere Nádia ressaltando como esse vocabulário varia conforme cada tradição local.

Macchiato vs cappuccino vs latte vs mocha vs flat white?


Foto: Pexels

Ao entrar no universo dos cafés com leite as distinções passam principalmente pelas proporções utilizadas bem como pela textura das bebidas preparadas. O macchiato se aproxima mais daquele típico espresso sendo nomeado assim (que significa “manchado” em italiano) porque apresenta apenas algumas gotas ou espuma de leite sobre ele.

O cappuccino acrescenta maior proporção tanto no leite quanto na espuma; na receita tradicional combina partes equivalentes de espresso leite vaporizado além da camada generosa dela – no Brasil muitas vezes incorpora também chocolate em pó ou canela às receitas tradicionais.

Por outro lado temos o latte que apresenta ainda mais leite vaporizado numa camada fina apenas acima deixando sua composição bem suave; “É ideal para criar arte no leite além das misturas com xaropes”, afirma Julia..


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By Beleza Sempre Viva

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