A corrida como agente de mudança: histórias inspiradoras de mulheres em transformação

“Não aguarde o tênis ideal, o corpo perfeito, o momento apropriado ou a autoconfiança total para começar a correr. Aproveite o que você já tem”, sugere Jéssica Ladeira Soares, maratonista e atleta profissional, para as mulheres que pretendem iniciar a prática de atividades físicas.

A tricampeã brasileira e campeã sul-americana de cross country esteve presente na edição de 2026 do Bota pra correr, um evento promovido pela Olympikus desde 2019, que tem como objetivo explorar o Brasil através da corrida. Após etapas em locais como Jalapão, Pantanal, Alter do Chão, Chapada dos Veadeiros, São Miguel dos Milagres, Costa do Conde, Morretes e Itacaré, desta vez as provas de asfalto e trilha ocorreram na Chapada dos Guimarães.

Localizada entre o cerrado e a Floresta Amazônica, essa região é um dos destinos turísticos mais procurados em Mato Grosso. Suas formações rochosas impressionantes, paredões de arenito e cachoeiras exuberantes atraem visitantes. No início de setembro, aproximadamente 1.500 participantes se reuniram no local – sendo 57% mulheres com idades entre 25 e 48 anos – para um final de semana repleto de atividades ao ar livre.

“O aumento no número de mulheres correndo representa muito mais do que apenas uma prática esportiva. É uma questão de liberdade, autoestima, saúde e a busca pelo espaço que merecem”, reflete Jéssica, que começou sua jornada na corrida aos 7 anos influenciada pelo pai.

“No começo da minha trajetória, não havia muitas referências femininas ou negras no esporte que me inspirassem a pensar: ‘Eu também posso conseguir’. No entanto, ao ver meninas e mulheres correndo hoje em dia, imagino que algumas delas talvez estejam me observando e encontrando coragem para seguir seus próprios sonhos.”

Para a maratonista de 32 anos, a corrida evidencia que não existe um único perfil ideal para praticar esse esporte. “Cada mulher traz sua própria história, corpo, ritmo e motivações. Todas têm o direito de ocupar esse espaço.”

Além de Jéssica, outras corredoras que participaram do BPC 2026 compartilharam suas experiências com a ELLE.

Flavia Palheiros

49 anos, maratonista e criadora do perfil Corro para descansar.

Motivação: “Iniciei minha caminhada na corrida em 2013 após enfrentar episódios depressivos pós-gravidez. Sempre adiava cuidar de mim mesma acreditando que não teria tempo devido à exigência da maternidade. Um alerta médico após exames alterados me fez mudar essa situação. Queria acompanhar meus filhos crescendo e ter energia para viver todos os momentos da vida. A corrida devolveu meu sorriso e trouxe novas amizades além de experiências que restauraram minha autoestima após a maternidade.”

Conselho: “Nunca é tarde para começar. Comecei aos 36 anos; se tivesse esperado me sentir pronta talvez nunca tivesse dado o primeiro passo nem vivido as experiências incríveis que o esporte me proporcionou até agora. No começo, comparações podem causar frustrações; cada uma tem uma história única. A corrida não deve ser apenas sobre velocidade ou distância; pode ser sobre movimento e descobrir as capacidades do seu corpo.”

Bianca Dallegrave

45 anos, diretora-executiva de marketing da Olympikus.

Aprendizado: “A corrida se tornou um espaço para organizar meus pensamentos e refletir sobre mim mesma. Essa prática transformou vários aspectos da minha vida como mulher e ser humano. Aprendi a reconhecer meu valor pessoal e meu potencial para realizar coisas que antes duvidava ser capaz.”

Transformação: “Os dados da segunda edição da pesquisa ‘Por dentro do corre’, realizada pela Olympikus em parceria com a Box 1824 mostram que 56% das mulheres começaram na corrida há menos de um ano. Isso ressalta a força feminina no crescimento desse esporte no Brasil e demonstra que ainda existe espaço para novas histórias.”

Leticia Imai

30 anos, criadora de conteúdo especializada em comunicação social.

Autocuidado: “Comecei a correr após a pandemia buscando cuidar da minha saúde mental. A prática trouxe disciplina e autoconfiança além de proporcionar momentos só meus. É uma oportunidade para desconectar da rotina enquanto cuido do meu corpo e mente. Sou muito inspirada por outras mulheres corredoras; testemunhar suas conquistas me motiva a correr distâncias maiores ou melhorar meu desempenho.”

Prioridade: “Inclua exercícios físicos na sua agenda como se fosse um compromisso importante ao qual você não pode faltar. Frequentemente colocamos tudo em primeiro lugar exceto nós mesmas; é fundamental reservar tempo para cuidar da nossa saúde. Evite começar pensando em distância ou velocidade; respeite seu próprio ritmo enquanto desfruta cada momento.”

Nathalia Guarienti

31 anos, engenheira têxtil e criadora de conteúdo.

Rua: “Minha percepção sobre a cidade mudou desde que comecei a correr. Como mulher nem sempre é confortável sair sozinha apenas com um tênis especialmente à noite. Existem locais onde eu nunca escolheria correr sozinha; entretanto nos clubes de corrida encontrei uma maneira segura de explorar mais a cidade à noite enquanto conheço novos lugares que provavelmente não visitaria sozinha.”

Comunidade: “Quanto mais mulheres correm juntas mais ocupamos os espaços públicos tornando-os mais seguros. Se você teme correr sozinha procure um grupo; essa união contribui para uma segurança coletiva. Convide amigas para se juntar ou escolha eventos em locais novos seguidos por um café depois; você não precisa ser uma atleta excepcional para se considerar corredora.”

Cacá Filippini

47 anos, comunicadora maratonista e poliatleta amadora.

Maternidade: “Corro desde 2002 mas ao longo dos anos precisei interromper por diversos motivos como ter filhos lesões ou compromissos diários relacionados à maternidade solo. Demorei duas décadas até completar minha primeira maratona porque optei por equilibrar carreira com maternidade; foram decisões conscientes na busca desse equilíbrio.”

Movimento: “Quando comecei éramos poucas mulheres nesse meio; atualmente vejo cada vez mais delas realizando seus sonhos enquanto conciliam família trabalho junto ao esporte; é emocionante presenciar essa transformação na comunidade.”

By Beleza Sempre Viva

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