Se você acompanha as tendências do setor de beleza, é provável que já tenha ouvido falar sobre o microagulhamento capilar. Essa técnica inovadora, que combina conhecimentos científicos e tecnológicos para estimular o couro cabeludo, vem ganhando popularidade entre aqueles que desejam recuperar a densidade dos cabelos e combater a queda. No entanto, ainda existem muitas dúvidas sobre seu funcionamento e indicações. Para elucidar esses pontos, ELLE entrevistou a biomédica Lilian Cavalcante, que detalhou o processo, os benefícios e os cuidados associados ao procedimento.
A especialista, responsável pelos atendimentos na Odara Pinheiros, explica que a mecânica do microagulhamento é mais acessível do que se imagina. “Essa técnica utiliza uma caneta ou um dermaroller com agulhas finíssimas para criar milhares de microcanais no couro cabeludo”, afirma Lilian.
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Estes pequenos canais funcionam como um sinal de alerta para o corpo: ao detectar essas lesões controladas, o organismo ativa seu mecanismo natural de reparação. Isso resulta na liberação de substâncias que promovem a renovação dos tecidos e a formação de novos vasos sanguíneos ao redor da raiz dos fios. Como consequência, há uma melhoria significativa na oxigenação e na nutrição dos folículos pilosos, onde cada cabelo é gerado. Além disso, esses microcanais também atuam como vias de absorção para ativos aplicados no couro cabeludo, aumentando a eficácia desses produtos ao permitir que penetrem em camadas mais profundas.
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Entretanto, é importante ressaltar que nem todos os casos de queda capilar devem ser tratados com esta técnica. Segundo Lilian, a alopecia androgenética — conhecida como calvície genética — é a condição com maior respaldo científico para receber esse tipo de tratamento em homens e mulheres. O microagulhamento é especialmente eficaz para pacientes que já realizam algum tipo de terapia capilar mas notam resultados insatisfatórios. Além disso, pode ser utilizado como complemento em casos selecionados de alopecia areata ou em situações de afinamento e queda crônica do cabelo, levando sempre em conta as causas subjacentes.
Por outro lado, existem contraindicações relevantes. Condições como o eflúvio telógeno agudo — frequentemente observado após partos ou períodos de estresse intenso — requerem cautela, pois o couro cabeludo pode estar muito sensível para receber novos estímulos nessa fase. Também não são recomendados procedimentos em casos de infecções ativas, feridas abertas ou herpes; além disso, gestantes e lactantes devem evitar esse tipo de tratamento. Regiões do couro cabeludo onde os folículos foram substituídos por tecido cicatricial também não respondem à técnica devido à ausência dos folículos.
As evidências científicas sugerem que o microagulhamento capilar apresenta melhores resultados quando combinado com outras terapias. “Pesquisa clínica demonstrou que pacientes que seguiram esse protocolo aliado ao uso tópico do medicamento tiveram melhorias superiores às observadas em quem utilizou apenas a loção”, diz Lilian, referindo-se à associação com minoxidil. Outras estratégias como plasma rico em plaquetas e medicamentos orais costumam fazer parte do protocolo terapêutico, sempre considerando as causas da queda e as condições individuais do paciente.
Como são realizadas as sessões?
Durante uma sessão prática, inicia-se com um couro cabeludo limpo seguido por uma higienização cuidadosa da área a ser tratada. Em seguida, utiliza-se um equipamento com microagulhas estéreis e descartáveis, ajustando a profundidade conforme a região tratada e os objetivos terapêuticos desejados. “O objetivo não é causar sangramentos intensos”, observa a biomédica; ela explica que a resposta esperada deve ser uma vermelhidão uniforme acompanhada ocasionalmente por pequenos pontos sanguíneos. Geralmente, os pacientes relatam um leve incômodo durante o procedimento.
Quanto aos resultados esperados, é preciso ter paciência: os primeiros sinais positivos — como diminuição da queda — podem surgir entre duas a quatro semanas após a primeira sessão. As alterações mais visíveis (como novos fios ou aumento na densidade) costumam aparecer após duas ou três aplicações. O protocolo típico envolve entre cinco a dez sessões com intervalos aproximados de 30 dias entre elas para permitir que o couro cabeludo se recupere adequadamente antes da próxima aplicação.
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Após cada sessão, recomenda-se evitar lavar os cabelos nas primeiras 12 a 24 horas assim como exposição à luz solar intensa ou atividades físicas intensas que possam provocar suor excessivo. É importante também evitar coçar ou manipular excessivamente a área até que o couro cabeludo esteja completamente recuperado; qualquer retorno ao uso de minoxidil ou outros produtos tópicos deve ser feito sob orientação profissional.
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Desmistificando alguns mitos sobre a técnica
Com o aumento da popularidade nas mídias sociais surgiram muitos mal-entendidos sobre o microagulhamento capilar. Lilian se dedica a esclarecer alguns desses equívocos. “O procedimento pode estimular folículos ainda ativos mas não consegue regenerar áreas onde eles já foram totalmente perdidos”, explica ela, desmentindo assim a ideia equivocada de que ele pode fazer crescer cabelo em qualquer situação. Além disso, um maior sangramento não significa necessariamente um resultado melhor; pelo contrário, agressões excessivas podem aumentar o risco de complicações sem melhorar efetivamente o tratamento.
A especialista também alerta contra tentativas caseiras do procedimento. “Reutilizar dermarollers compromete seu corte adequado das agulhas; isso pode machucar a pele além de elevar consideravelmente o risco de contaminação por bactérias e infecções”, ressalta Lilian.
Portanto, antes de considerar realizar o microagulhamento capilar é fundamental identificar corretamente as causas da queda com um profissional qualificado. Apenas através desse diagnóstico será possível determinar se essa técnica é realmente indicada e transformá-la em uma aliada na restauração da saúde dos cabelos.
