Hanayrá Negreiros apresenta a obra “Negras maneiras de vestir: uma fusão de moda, memória e arte afro-brasileira

Hanayrá Negreiros apresenta seu livro inaugural, Negras maneiras de vestir: moda, memória e arte afro-brasileira (Editora Paralela), como uma coleção de “narrativas entrelaçadas fio a fio, em um tear de recordações afro-atlânticas”. A obra teve origem na primeira coluna que a pesquisadora e professora de moda escreveu para o site da ELLE, lançada em 2020. Nela, a autora oferece um panorama inovador sobre os códigos de vestimenta das famílias negras no Brasil, utilizando sua própria história e a de seus antepassados, além de integrar imagens históricas e fotografias do seu acervo pessoal.

Mais do que um simples estudo sobre moda, esta publicação convida o leitor a enxergar as roupas como algo além de um mero enfeite ou vestuário; elas se tornam uma forma de linguagem e resistência. Cada escolha estética ou tecido utilizado traz à tona estratégias ligadas ao pertencimento, à proteção e à afirmação identitária. “Vejo o ato de se vestir como uma forma não verbal e extremamente sofisticada de resistência contra o racismo e a tentativa colonialista de anular nossa existência”, observa.


Foto: Juh Almeida

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<pAo recuperar retratos emblemáticos do século 19, como Uma quitandeira da Bahia, de Rafael Castro y Ordóñez (1834-1865), Negreiros utiliza essa iconografia para desenhar novas narrativas para essas figuras históricas. Um exemplo desse exercício criativo aparece na capa do livro (acima), onde a autora dialoga com Mulher negra da Bahia, que ela renomeou para Belíssima da Bahia. Nela, Hanayrá posa sentada como a modelo do famoso retrato de Marc Ferrez (1843-1923), segurando a imagem enquanto usa criações das designers negras Angela Brito, Lane Marinho e Carol Barreto.

Através da análise da influência da herança africana nas vestimentas—com seus tecidos vibrantes, rendas delicadas, bordados ricos e joias impressionantes—Hanayrá nos desafia a desconstruir uma visão eurocêntrica da moda brasileira. “O Brasil possui uma riqueza imensa na construção de sua estética. E a população negra sempre esteve no centro desse processo”, afirma.

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By Beleza Sempre Viva

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