No cenário de Hollywood, onde as grandes franquias e remakes nostálgicos predominam, uma distribuidora independente se destaca ao apresentar uma nova perspectiva sobre a narrativa cinematográfica. Seguindo o exemplo da A24, que abriu caminhos anos atrás, a Neon tem investido em filmes que quebram padrões, apostando em cineastas com visões únicas e histórias que ultrapassam barreiras linguísticas. Em menos de dez anos, a empresa acumulou uma série de produções reconhecidas com prêmios do Oscar e dos mais prestigiados festivais de cinema.
Recentemente, em maio, a distribuidora celebrou um novo triunfo com Fjord, obra do diretor romeno Cristian Mungiu, que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Este foi o sétimo ano consecutivo em que a Neon levou para casa essa prestigiosa premiação.
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O rápido sucesso da Neon reflete uma mudança significativa na indústria audiovisual. Jeff Deutchman, presidente de aquisições, produção e desenvolvimento da Neon, destaca que “o cinema em outras línguas e narrativas não convencionais não precisam ser limitados aos circuitos alternativos”.
Deutchman esteve recentemente no Brasil para participar do Encontro de ideias audiovisuais durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Ele defendeu que “com uma distribuição cuidadosa e campanhas bem elaboradas, essas obras menos conhecidas podem atrair atenção, lotar cinemas e concorrer nas principais categorias das premiações”.
Neste ano, a distribuidora recebeu um total de 18 indicações ao Oscar, ocupando o segundo lugar entre todos os estúdios cinematográficos, ficando apenas atrás da Warner Bros. Entre as produções indicadas estavam Valor sentimental, dirigido por Joachim Trier, e O agente secreto, do cineasta Kleber Mendonça Filho. Ambos concorreram na categoria de melhor filme, sendo que o primeiro conquistou o prêmio de melhor filme internacional.
Mistura de gêneros
Fundada em 2017 na cidade de Nova York por Tom Quinn e Tim League — este último conhecido por criar uma rede de cinemas — a Neon surgiu com a missão de descobrir filmes com potencial artístico e comercial sem seguir as fórmulas tradicionais dos grandes estúdios.
A primeira obra adquirida pela distribuidora foi Eu, Tonya (2017), uma cinebiografia da patinadora artística Tonya Harding estrelada por Margot Robbie. Dirigido por Craig Gillespie, o filme rendeu à atriz Allison Janney o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2018.
O primeiro filme lançado pela Neon foi Colossal (2017), uma comédia fantástica do diretor Nacho Vigalondo com Anne Hathaway no papel principal.
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O fenômeno Parasita
A fusão de suspense, humor ácido e crítica social presente em Parasita (2019) encantou tanto críticos quanto espectadores, tornando-se um dos filmes mais significativos da temporada de prêmios daquele ano e sinalizando um ponto decisivo na trajetória da Neon. Essa sequência positiva começou quando o longa sul-coreano ganhou a Palma de Ouro em maio. A distribuidora então ampliou gradualmente sua exibição nos cinemas ao aproveitar as críticas favoráveis e o boca a boca. Essa estratégia ajudou a estabelecer Parasita como um fenômeno cultural além dos limites dos cinéfilos. No início de 2020, Parasita fez história ao se tornar o primeiro filme não falado em inglês a vencer o Oscar de melhor filme e também levou mais três estatuetas (melhor direção, melhor roteiro original e melhor filme internacional). O resultado financeiro foi impressionante, superando os US$ 260 milhões mundialmente.
A continuidade desse sucesso se deu com Titane, da diretora francesa Julia Ducournau, que também venceu a Palma de Ouro em 2021 ao apresentar uma narrativa ousada envolvendo horror corporal e questões identitárias. No ano seguinte foi a vez do sueco Ruben Östlund com Triângulo da tristeza, uma sátira sobre desigualdade social. Em 2023,Anatomia de uma queda, dirigido por Justine Triet também levou o prêmio com um drama judicial surpreendente. A sequência ganhará novos capítulos com Anora, do americano Sean Baker — focado na vida de uma trabalhadora sexual nova-iorquina casada com o filho de um oligarca russo — previsto para ser lançado em 2024. Em seguida virá Foi apenas um acidente, do iraniano Jafar Panahi sobre um ex-prisioneiro político no regime iraniano em 2025; enquanto Fjord, mais uma vez dirigido por Cristian Mungiu — seguindo a história de uma família religiosa sob investigação — fechará essa série histórica com sete Palmas de Ouro consecutivas para a Neon (o festival não ocorreu em 2020 devido à pandemia).
A diversidade na seleção é notável pela ausência de um único padrão claro. Os filmes abrangem diversos gêneros como drama, sátira e horror enquanto representam diferentes culturas cinematográficas ao redor do mundo.
A conexão da Neon com o Brasil ganhou destaque quando adquiriu os direitos do longa O agente secreto, estrelado por Wagner Moura sob direção de Kleber Mendonça Filho.
A aquisição ocorreu após sua apresentação no Festival de Cannes em maio de 2025 onde conquistou prêmios relevantes. Jeff comentou durante o evento na Mostra que “escolhemos O agente secreto porque se alinha ao perfil da nossa companhia. Buscamos narrativas que possuem contextos políticos e sociais relevantes mas apresentadas através elementos que ressoam globalmente”.
Novos filmes da NEON para ficar atento:
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Tigre de papel (na Mostra Internacional e nos cinemas desde janeiro)
Estrelando Adam Driver , Miles Teller e Scarlett Johansson sob direção James Gray , este filme teve participação brasileira através da RT Features , dirigida por Rodrigo Teixeira , concorrendo à Palma no Festival Cannes deste ano . A obra ainda inaugurou a Mostra Internacional , contando com presença do diretor . Uma exibição está marcada para terça-feira , dia 27/10 no evento .
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Hope (atualmente nos cinemas)
Um thriller dirigido por Na Hong-jin , apresentando personagens comuns enfrentando seres extraterrestres , conta com um elenco sul-coreano renomado incluindo Hwang Jung-min , Zo In-sung além das estrelas internacionais Michael Fassbender , Alicia Vikander e Taylor Russell.
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I love boosters (estreia nos cinemas dia 19/11)
Esse longa mistura humor crítico ao capitalismo enquanto explora quem realmente lucra com criatividade . O ato é assinado por Boots Riley reunindo Keke Palmer e Demi Moore.
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Leviticus (estreia nos cinemas dia 26/11)
A narrativa acompanha dois adolescentes cristãos conservadores descobrindo suas emoções mútuas . Quando seu relacionamento é revelado eles enfrentam um ritual religioso voltado à conversão nesta produção dirigida por Adrian Chiarella.
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Filmes da Neon disponíveis para streaming:: Parede ou Parasita (Netflix), Titane (Mubi), Anatomia De Uma Queda (Prime Video), Triângulo Da Tristeza (HBO Max), Anora (Netflix), Foi Apenas Um Acidente (Mubi), O Agente Secreto (Netflix), Sirāt (Prime Video), Longlegs (aluguel no Prime Video) e Alpha(Mubi).
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