Jungle apresenta “Sunshine”, inspirado pela sonoridade brasileira

Desde a sua criação em 2013, o Jungle tem se destacado no cenário musical. Os amigos de infância Josh Lloyd-Watson e Tom McFarland começaram a compor suas músicas em quartos em Londres, procurando que suas obras falassem por si mesmas. Para isso, adotaram os pseudônimos “J” e “T”, permitindo que os dançarinos de seus videoclipes, muitos deles gravados em planos-sequência, se tornassem as figuras centrais da banda.

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Após mais de dez anos, a banda de neo-soul tornou-se uma referência essencial na música dançante atual. Em 2023, eles deram um passo adiante ao incluir Lydia Kitto como membro oficial do grupo.


Com o sucesso do álbum Volcano (2023), que trouxe o hit “Back on 74” e ganhou popularidade no TikTok, além de ser trilha sonora para uma campanha da Gap dirigida por Josh, o Jungle está lançando seu quinto disco nesta sexta-feira (14.08). O novo trabalho vem acompanhado de um filme que apresenta videoclipes coreografados para cada canção, com a participação do bailarino brasileiro Igor Martins.

Sunshine reúne melodias vibrantes e ritmos contagiantes que transmitem um toque de otimismo em tempos desafiadores. Tom descreve este álbum como o mais autoconfiante da banda até agora, incorporando influências da música brasileira dos anos 1960 e 1970. O projeto Brasil ‘66 de Sergio Mendes é uma referência clara na faixa “The wave”. “Desde crianças, ouvimos muita música brasileira”, revela à ELLE.


A partir de setembro, a banda britânica dará início a uma extensa turnê mundial que abrangerá Europa, EUA, Austrália e América Latina. Eles já marcaram uma nova apresentação no Brasil para março de 2027, sendo esta sua quinta vez no país. “Para nós ingleses, a intensidade de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro só acrescenta à imagem mágica que temos do Brasil. Tivemos a sorte de presenciar um pôr do sol em Copacabana, algo pelo qual sonhávamos desde jovens”, recorda. “As experiências no Brasil sempre foram muito vívidas – é uma cultura extraordinária. O público é sempre atencioso e acolhedor conosco. Estamos ansiosos para retornar”.

Em conversa com a ELLE Brasil, Tom discute sobre o novo álbum, suas influências brasileiras, moda e nostalgia, além da importância de fazer as pessoas dançarem.

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Josh e Tom sempre com óculos escuros ao lado de Lydia Kitto
Foto: Divulgação


Influência da música brasileira

“Uma das minhas memórias musicais mais antigas é ouvir Stan Getz (saxofonista dos EUA que gravou com João Gilberto e ajudou a popularizar a bossa nova), Gal Costa em vinil e artistas como Marcos Valle, Cassiano e Sergio Mendes. Crescendo em Londres, escutar essas músicas era como ser levado diretamente para uma praia brasileira. Acredito que nossas inspirações estão tão enraizadas em nós que se manifestam naturalmente em nossa criatividade. Neste álbum, as influências brasileiras aparecem na diversidade dos ritmos e nas emoções calorosas que desejamos transmitir na faixa ‘The wave’.”

A longa parceria entre Tom e Josh

“A diferença entre nossas energias é fundamental para nossa dinâmica criativa. Josh é como um relâmpago – rápido e impulsivo da melhor maneira possível. Eu sou mais como um rio: levo meu tempo até encontrar o mar. Mas ambos somos aquarianos (risos).

Nostalgia ensolarada

“Enquanto Volcano é um álbum intenso e caótico, Sunshine transmite relaxamento e confiança. No entanto, ambos fazem você querer dançar. Durante esse processo criativo ouvimos muito lovers rock (um subgênero do reggae). Este disco fala sobre esperança e amor, mas também aborda dor e perda. Sempre nos esforçamos para criar álbuns que evoquem nostalgia e memórias; contudo, esta é a primeira vez que realmente conseguimos explorar essa ideia de saudade por tempos mais felizes. Não queremos que esse sentimento seja passivo ou melancólico; pretendemos que ele inspire as pessoas a buscarem felicidade no presente.”

“Ouvir Stan Getz e Gal Costa em vinil é uma das minhas memórias musicais mais antigas” Tom McFarland

Dançar é fundamental

“Para nós é essencial incentivar as pessoas a se reunirem em um mesmo espaço para cantar e dançar juntas. Não há expressão mais primitiva à música do que dançar. É uma experiência comunitária profundamente humana que deve ser preservada mesmo na era digital individualista. Não há nada melhor do que ouvir uma canção que te convida a se mover ou experimentar algo novo. Acredito que as gerações atuais estão perdendo essa conexão – não dançam tanto quanto antes ou vivem plenamente suas emoções – o que pode privá-las das lições valiosas dos erros cometidos durante a vida. Ser imperfeito faz parte do crescimento pessoal. À medida que nos tornamos mais dependentes da tecnologia, sentimos falta das conexões reais entre nós mesmos e nossas emoções – mas espero que essa carência nos leve novamente a buscar essas interações genuínas.”

Videoclipes coreografados

“Algumas pessoas nos chamam de suicidas por fazermos tantos videoclipes! Aprendemos com nosso segundo álbum quando ainda produzíamos clipes apenas para as faixas principais. O vídeo da canção ‘Casio’ foi considerado um risco pela gravadora – já havíamos estourado nosso orçamento inicial – pois muitos acreditavam que ninguém assistia ou se importava com videoclipes hoje em dia. Contudo, esse vídeo fez tanto sucesso que decidimos criar clipes para todas as faixas dos álbuns seguintes e isso tem sido maravilhoso para nós! É caro fazer isso tudo, mas amamos criar arte – quanto mais pudermos fazer isso melhor.”

“Algumas pessoas nos chamam de suicidas por fazermos tantos videoclipes” Tom McFarland

A moda como expressão criativa

“Incorporar um personagem à nossa estética me parece fascinante para muitos artistas criativos – esses personagens geralmente têm um estilo distinto ou usam óculos escuros (os integrantes do Jungle frequentemente usam óculos durante suas apresentações ao vivo). Quando você escolhe roupas menos confortáveis do dia-a-dia como pai londrino (Tom tem três filhos), você acaba sendo transportado para uma esfera criativa onde pode explorar novas ideias e criações artísticas. A moda representa essa possibilidade para nós.”

A mensagem otimista do álbum

“Confiar nas outras pessoas é crucial! É disso que precisamos neste mundo competitivo onde somos levados a achar que somos melhores ou piores uns aos outros constantemente. Essa mentalidade pode gerar conflitos graves na sociedade até levando à guerras horrendas! Acredito firmemente na importância de enxergar o outro — suas semelhanças e diferenças — assim como seus sonhos.”

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By Beleza Sempre Viva

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