Gillian Anderson e Hannah Einbinder revelam detalhes do Acampamento Miasma em entrevista à ELLE

A exibição do filme Acampamento Miasma: Adolescência, sexo e morte foi uma das mais concorridas do recente Festival de Cannes. Com a direção de Jane Schoenbrun (Eu vi o brilho na TV, 2024) e com Gillian Anderson (Arquivo X) e Hannah Einbinder (Hacks) no elenco, o longa-metragem faz uma releitura dos clichês dos filmes de terror slasher, trazendo à tona as final girls. O sangue, que segundo as atrizes tem sabor de menta, jorra pela tela durante a trama, como elas mencionaram em uma mesa-redonda com a ELLE.

No enredo, Hannah dá vida a Kris, uma cineasta que viaja para uma região isolada dos Estados Unidos com o intuito de convidar Billy para participar de seu próximo projeto. Gillian Anderson é a atriz que interpreta Billy, uma “final girl” de um clássico do terror que teve grande importância na formação da personagem Kris, mas que se tornou reclusa após essa experiência. Embora suas afinidades sejam escassas, ambas conseguem se conectar por meio da linguagem cinematográfica.

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Acampamento Miasma representa a transição de gênero da diretora Jane Schoenbrun, que se identifica como não-binária. O filme aborda questões de gênero e misoginia de forma leve e cativante.

A seguir, destacamos os principais trechos da conversa entre Hannah e Gillian sobre o longa, que chega às telonas brasileiras nesta quinta-feira (13.08), antes de ser disponibilizado na plataforma MUBI em data ainda a ser definida:

Qual foi o primeiro filme de terror que vocês assistiram e como isso as impactou?

Hannah Einbinder: “Meu primeiro contato foi com Terror em Silent Hill (2006). Eu era criança e fiquei realmente assustada. Esse filme me fez apaixonar pelo gênero. Ao revê-lo recentemente, percebi como minha percepção mudou completamente.”

Gillian Anderson: “Minha experiência com filmes de terror não foi das melhores quando era mais nova; por isso evito esse tipo de obra. Entretanto, participei de várias séries relacionadas ao gênero e encontrei uma forma de trabalhar com esse conteúdo sem necessariamente ser espectadora. Aprendi muito sobre o terror e seus subgêneros e estou interessada em explorar mais isso agora.”

O que motivou vocês a fazer Acampamento Miasma?

Hannah Einbinder: “Já conhecia Jane e admirava seu trabalho. Quando recebi o roteiro, li tudo rapidamente porque me envolvi completamente; achei muito tocante e engraçado. Conhecer Jane só reforçou minha conexão genuína com ela como pessoa e criadora. É fundamental que ator e diretor estejam sintonizados.”

Gillian Anderson: “Descobri o trabalho de Jane através de Eu vi o brilho na TV, e percebi a conexão entre os dois filmes. Ao conversar com Jane sobre sua visão para o projeto e sua equipe, senti-me extremamente animada e honrada pelo convite.”

“É possível encontrar almas afins no mundo, independentemente da idade ou das circunstâncias da vida; isso é algo belo.” Gillian Anderson

Billy e Kris são personagens que tendem a esconder tanto seus sentimentos quanto suas personalidades. Como vocês construíram essa dinâmica?

Hannah Einbinder: “O roteiro já apresenta bem essa estrutura. As duas têm diferenças marcantes, mas também semelhanças importantes. Quero ressaltar esses momentos contrastantes enquanto celebramos as semelhanças quando surgem; para Kris e Billy, compartilhar coisas simples como frango frito ou filmes se torna um importante ponto de conexão.”

Gillian Anderson: “O que amo nessas personagens é que elas parecem opostas em muitos aspectos – na maneira como falam, na visão sobre a vida –, mas acabam encontrando um laço comum através do cinema. O romance surge lentamente entre elas; começa desajeitado até criar um vínculo profundo. Muitas vezes isso se deve a experiências compartilhadas relacionadas ao medo ou vergonha. Encontrar almas afins é algo belo.”

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Como vocês lidam com as cenas aterrorizantes durante as filmagens?

Hannah Einbinder: “Você entra naquela mentalidade específica durante as gravações. Em certas partes do filme preciso vivenciar emoções intensas realmente assustadoras; por outro lado, há todo um processo desmistificado onde vemos câmeras, equipamentos e conversamos sobre os efeitos especiais… Isso tira um pouco do peso das cenas.”

Gillian Anderson: “E o sangue sempre tem gosto de menta.”

“Se você estiver assistindo a um terror e começar a sentir medo, lembre-se de que ali fora do enquadramento há um cara segurando um microfone grande enquanto outra pessoa come chocolate.” Hannah Einbinder

Atualmente existem poucos filmes abordando sexo nos cinemas estadunidenses. Na opinião de vocês, qual seria a razão dessa relutância nas gerações mais jovens?

Gillian Anderson : “Parece estar relacionado ao tempo excessivo passado diante das telas; isso cria uma desconexão emocional real quando surge a necessidade por intimidade genuína. Algumas gerações parecem ter dificuldade até mesmo para manter diálogos simples por telefone; isso impacta diretamente como percebem interações tão diretas como toque humano.”


Qual é a relevância de um filme sobre sexo centrado na perspectiva feminina?

Hannah Einbinder : “Acredito que o trabalho da Gillian ao longo dos anos exemplifica perfeitamente isso. A representatividade realmente importa e provoca mudanças significativas. Dana Scully (personagem interpretada por Gillian em Arquivo X ) abriu portas para mulheres nas áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), mostrando como sua atuação pode ter impactos reais na sociedade.”

Gillian Anderson : “É essencial que haja essas representações nos filmes atuais. Nos últimos anos temos visto produções mais ousadas em relação à sexualidade feminina – abordando desejos sem filtros ou limitações.”

“A representatividade realmente importa e provoca mudanças significativas” Hannah Einbinder

Acampamento Miasma traz à tona discussões sobre obras do passado consideradas problemáticas hoje em dia. Como vocês veem essa questão?

Hannah Einbinder : “Recentemente revi várias comédias da minha infância que estavam repletas de transfobia embutida nas tramas. Isso me fez refletir sobre mensagens subliminares presentes na cultura durante tantos anos. Acampamento Miasma busca ressignificar radicalmente a história da final girl , além da transfobia nos filmes slasher clássicos. Ele homenageia os fãs desse gênero enquanto confronta as questões problemáticas presentes nesses trabalhos antigos.” Sinto que já avançamos bastante nesse sentido.” 

Gillian Anderson : “Filmes antigos estão carregados de misoginia, racismo e gordofobia. Enquanto Miasma foca especificamente nas questões transfóbicas e misóginas desse universo cinematográfico, abordar esses temas difíceis emocionalmente já inicia um diálogo necessário.” 

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By Beleza Sempre Viva

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