Anselmi celebra 40 anos de legado na arte da malharia

A história de Maria Anselmi teve início em um pequeno espaço na casa onde morava, em Farroupilha, no Rio Grande do Sul. O que começou como um projeto modesto há quatro décadas se transformou em uma das principais referências na indústria de malharia no Brasil. Atualmente, a Anselmi conta com 800 funcionários e opera quatro fábricas, controlando internamente todas as etapas do processo produtivo, desde a fiação até a tinturaria.

Look da coleção Évora, de verão 2027 da Anselmi.
Nicole Heineger

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Nascida no interior da Serra Gaúcha, Maria cresceu em meio ao trabalho rural e abandonou os estudos aos 12 anos para ajudar na criação dos irmãos. Com apenas 20 anos e já mãe de dois filhos, mudou-se para a cidade e começou a oferecer serviços de costura e bordado para malharias locais. “Observava atentamente como organizavam a produção e as vendas, pois sonhava em abrir meu próprio negócio”, relembra.

No ano de 1981, decidiu investir todas as suas economias na confecção de 20 camisas. Após colocar as peças em uma sacola e ir ao centro de Farroupilha, voltou para casa sem realizar nenhuma venda. Contudo, não se deixou abater e continuou tentando até conhecer uma revendedora em Porto Alegre que adquiriu metade da produção inicial.

Look da coleção Évora, de verão 2027 da Anselmi.
Nicole Heineger

<pAs próximas encomendas chegavam por correio, já que ainda não havia telefone em sua casa. "A demanda aumentou e comecei a usar as máquinas de uma vizinha além de buscar fios em Caxias do Sul. Para economizar, muitas vezes levava até 15 quilos de matéria-prima", recorda Maria. Mais tarde, seu marido vendeu o caminhão da família para adquirir novas máquinas. “Minha filha Sandra fez um cartaz com o nome 'Anselmi', que colocamos na frente da casa, formalizando nossa marca em 1984.”

Como muitas empreendedoras, ela enfrentou desafios por ser mulher. “Enfrentei muitas dificuldades no início devido ao meu gênero. A busca por conhecimento foi vital para superar obstáculos e alcançar o sucesso”, confessa. Hoje, sua filha mais velha comanda a direção criativa da marca e a presença feminina é notável nas diversas áreas do empreendimento. “Valorizamos muito nossa equipe, incentivamos a autonomia e buscamos reconhecer tanto o trabalho interno quanto as parcerias com artesãs”, destaca Maria.

Look da coleção Évora, de verão 2027.
Nicole Heineger

Com o passar dos anos, o tricô se tornou a principal característica da Anselmi. As coleções são diversificadas em termos de pesos, pontos e texturas, incorporando fibras naturais – como lã merino do Pampa Gaúcho, cashmere e algodão agroecológico – além de tecnologias inovadoras como a tecelagem 3D que possibilita confeccionar peças quase integralmente em uma única operação. “Nosso design é inspirado na arquitetura, arte, natureza e na história familiar ligada à Serra Gaúcha”, explica Maria. “Acreditamos que uma marca se fortalece quando cria com autenticidade ao invés de seguir apenas tendências.”

O processo criativo inicia-se pela seleção do fio e pela definição do modelo. “Como as equipes de criação e produção trabalham próximas umas das outras, conseguimos acompanhar os testes até chegarmos ao resultado final.” Dependendo do estilo da peça, algumas podem ser confeccionadas sem costuras enquanto outras incluem detalhes feitos à mão. “Nossa tinturaria interna nos permite monitorar o processo de tingimento e desenvolver novas tonalidades”, acrescenta a empresária.

Look da coleção Évora, de verão 2027.
Nicole Heineger

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Para o verão de 2027, a Anselmi se inspira na cidade portuguesa de Évora para explorar o contraste entre os contornos naturais da paisagem e as linhas arquitetônicas locais. Essa dualidade reflete-se nas silhuetas fluidas e nos relevos sutis das peças que trazem tramas gráficas inovadoras como um novo ponto Ondas e pespontados que reinterpretam o crochê artesanal.

A expansão está nos planos futuros da empresa. A Anselmi está desenvolvendo um novo parque industrial em Farroupilha destinado a aumentar sua capacidade produtiva enquanto aproxima o público do processo fabril. Simultaneamente, há investimentos planejados para uma nova fiação dedicada à lã merino e ao cashmere – com o objetivo final de estabelecer uma cadeia nacional para essa fibra no Brasil. “Desejamos continuar nossa evolução mantendo sempre os valores que nos trouxeram até aqui,” conclui Maria.

Maria Anselmi (à esquerda) e Sandra Anselmi (à direita), na fábrica da marca.
Instagram @sandraanselmi

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By Beleza Sempre Viva

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