12 momentos em que moda e arte se encontram nas passarelas

A conexão entre arte e moda – e a maneira como essas expressões se relacionam com o corpo humano – é a temática central da exposição Costume art, que será apresentada no Metropolitan Museum of Art em Nova York (MET) de 10 de maio de 2026 até 10 de janeiro de 2027. O renomado baile de abertura, conhecido como MET Gala, ocorrerá na segunda-feira (04.05), com o tema “fashion is art” (“moda é arte”). A seguir, apresentamos uma lista de 13 momentos em que a vestimenta ultrapassou sua função utilitária e se transformou em expressão artística:

Schiaparelli, verão 1938


Cortesia do Victoria & Albert Museum

Elsa Schiaparelli destacou-se no mundo da moda ao estabelecer colaborações com grandes nomes das artes. Sua parceria criativa com o artista espanhol Salvador Dalí solidificou o surrealismo como um elemento essencial em sua grife. Em 1938, durante a coleção Circus, a designer italiana desafiou os padrões conservadores da época ao incorporar elementos fantásticos: botões de metal moldados em formas de acrobatas pareciam saltar de uma jaqueta rosa.

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Dior, verão 1949


Cortesia da La Galerie Dior

No icônico vestido Miss Dior, Christian Dior utilizou centenas de pedaços de seda dispostos em formato de pétalas, recriando as pinceladas impressionistas do artista Claude Monet. Enquanto as obras do francês capturavam a luminosidade dos jardins de Giverny, o estilista buscava transferir essa sensação de movimento através do uso do tecido. A paixão compartilhada pela botânica também se refletiu nos bordados florais e na silhueta Corolle, cuja volumetria evocava o desabrochar das flores.

Yves Saint Laurent, inverno 1965


Foto: Cortesia do Musée Yves Saint Laurent Paris

Yves Saint Laurent prestou uma das homenagens mais icônicas da moda a Piet Mondrian ao traduzir o abstracionismo geométrico do artista holandês para vestidos com cortes retos. Assim, transformou o corpo feminino em uma verdadeira tela. Os blocos coloridos em tons primários não eram apenas estampas; eram recortes meticulosamente costurados para manter a precisão das linhas e evitar distorções visuais.

Vivienne Westwood, inverno 1990


Foto: Getty Images

Na memorável coleção Portrait, Vivienne Westwood trouxe as obras da The Wallace Collection, localizada em Londres, para as passarelas. A estilista imprimiu a famosa obra Dáfnis e Cloé (1743), criada por François Boucher, em corsets de cetim, combinando o rococó à estética punk rebeldes. Historicamente associada à intimidade, essa peça foi ressignificada como vestimenta externa durante um desfile que teve como destaque o beijo entre as modelos Denice Lewis e Susie Bick.

Versace, verão 1991


Foto: Getty Images

Gianni Versace explorou as obras icônicas de Andy Warhol durante o auge das supermodelos. O designer italiano incorporou serigrafias vibrantes do artista norte-americano em vestidos feitos de seda adornados com cristais. Essas criações uniam luxo à cultura pop enquanto as modelos se tornavam celebridades reconhecidas.

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Jean Paul Gaultier, verão 1998


Foto: Getty Images

Denominada Hommage à Frida Kahlo, Jean Paul Gaultier buscou traduzir a intensa carga emocional da artista mexicana em suas criações. Um corset feito com tiras faz referência à obra A Coluna Partida (1944), que retrata sua força diante das adversidades enfrentadas após um acidente na juventude. As paletas predominantes incluíam tons escuros como preto e vermelho profundo nas peças que eram complementadas por monocelhas e arranjos caprichosos semelhantes aos usados por Kahlo.

Ronaldo Fraga, verão 2015


Foto: Getty Images

Inspirado pelo trabalho de Candido Portinari, Ronaldo Fraga apresentou a coleção Caderno de Riscos. O pintor modernista é famoso por retratar as desigualdades sociais no Brasil através do cubismo e expressionismo. O estilista interpretou esse legado utilizando bordados soltos e vestidos feitos em crochê com padronagens gráficas que lembravam pipas.

Valentino, verão 2017


Foto: Getty Images

Na sua estreia solo como diretor criativo da Valentino após oito anos ao lado de Maria Grazia Chiuri, Pierpaolo Piccioli colaborou com a artista britânica Zandra Rhodes para desenvolver estampas e bordados inspirados na obra de Hieronymus Bosch. Vestidos plissados feitos de tule e veludo serviram como suporte para complexas narrativas visuais extraídas da obra O Jardim das Delícias Terrenas (1490-1510). O nível detalhado foi tão elevado que algumas peças demandaram centenas de horas dedicadas ao trabalho artesanal para reproduzir as oníricas representações celestiais e infernais do pintor.

Celine, verão 2018


Foto: Getty Images

Na penúltima coleção sob sua direção criativa na Celine, Phoebe Philo empregou os conceitos da Op Art — focando no grafismo das linhas para criar ilusões ópticas e efeitos dinâmicos em superfícies estáticas. Essa coleção reforçou o minimalismo característico da marca através do uso intenso de listras bicolores. A silhueta oversized funcionava como uma tela móvel que ecoava experimentos visuais realizados por artistas como Bridget Riley.

Prada, verão 2018


Foto: Getty Images

Miuccia Prada convidou nove mulheres cartunistas (incluindo Tarpé Mills e Trina Robbins) para criar ilustrações que representassem heroínas femininas. A coleção centrou-se em casacos feitos em gabardine e vestidos estruturados que funcionavam como páginas vivas dos quadrinhos. As cores vibrantes das estampas contrastavam com os fundos neutros das roupas dialogando diretamente com a Pop Art e promovendo um movimento de empoderamento feminino.

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Comme des Garçons, verão 2018


Foto : Getty Images

Rei Kawakubo , fundadora da Comme des Garçons , utiliza sua passarela como uma tela criativa . No verão de dois mil e dezoito , isso ficou ainda mais evidente quando ela buscou inspiração no pintor italiano Giuseppe Arcimboldo , famoso por seus retratos compostos por frutas , legumes e flores . Na passarela , a obra Vertumnus ( mil quinhentos noventa e um ) , que representa o Imperador Rodolfo II , foi transformada em um vestido escultural repleto de volumes complexos e cores vibrantes .

Osklen, verão 2018

A grife Osklen homenageou o modernismo brasileiro ao reinterpretar as obras Tarsila do Amaral . A marca traduziu as formas orgânicas e cores vivas da artista em peças contemporâneas , incluindo chemises gráficas e saias fluidas . A reprodução da tela Abaporu ( mil novecentos vinte e oito ) nos acessórios e vestuário reafirmou a identidade nacional da marca através deste ícone da antropofagia .

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By Beleza Sempre Viva

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