Sobrinho de artista traz nova perspectiva musical em ‘Michael’ e deixa controvérsias de lado

A vida de Michael Jackson é tão fascinante que poderia ser o enredo de um filme, e isso se torna evidente em Michael, que chega às telonas no Brasil nesta quinta-feira (23.04). Reconhecido como o Rei do Pop, suas conquistas são impressionantes: vendeu cerca de 300 milhões de álbuns, alcançou a primeira posição da Billboard com 13 singles, conquistou 13 Grammys e revolucionou a forma como os videoclipes são feitos. Além disso, ele popularizou a dança urbana e quebrou barreiras culturais e raciais, tornando-se uma figura admirada em todo o mundo.

O longa Michael se assemelha a um grande espetáculo musical, apresentando canções em formato de shows ou videoclipes na íntegra. Para os fãs nostálgicos e aqueles que nunca tiveram a oportunidade de vê-lo ao vivo, a experiência é profundamente emocionante. O filme também oferece um vislumbre do processo criativo do artista, que faleceu em 2009 aos 50 anos, com seu papel sendo interpretado por seu sobrinho Jaafar Jackson.

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Sob a direção de Antoine Fuqua (Dia de treinamento) e com roteiro assinado por John Logan (candidato ao Oscar por Gladiador e outros), o filme inicia sua narrativa com os Jackson 5, grupo formado por Michael e seus irmãos em 1965 quando ele ainda era uma criança – essa fase é retratada por Juliano Krue Valdi. A obra abrange desde o início da carreira solo dele até o sucesso estrondoso de Thriller (1982), culminando na apresentação em Londres durante a turnê de Bad (1987). O filme ilustra a transição de Michael do controle rígido do pai para sua ascensão como um artista inovador que se distanciou da família.

Entretanto, o filme aborda sua história de maneira superficial, podendo deixar alguns espectadores confusos. Michael menciona brevemente o tratamento agressivo recebido do pai Joseph (Colman Domingo), momentos com sua mãe Katherine (Nia Long) e sua paixão pelos animais. Contudo, esses temas são tratados rapidamente. O longa também toca nas cirurgias plásticas e no vitiligo sem explorar as controvérsias geradas na época sobre sua aparência. Além disso, não há menção às acusações de abuso sexual infantil contra ele, uma vez que o filme finaliza antes desses eventos.

Judah Edwards como Tito, Jaylen Hunter como Marlon, Juliano Krue Valdi como Michael, Nathaniel McIntyre como Jackie e Jayden Harville como Jermaine, os Jackson 5, em Michael
Foto: Lionsgate

Refilmagem

Inicialmente, Michael deveria cobrir toda a trajetória até 1993, ano em que surgiram as primeiras acusações contra ele. No entanto, um acordo realizado com os acusadores impediu qualquer referência a esses eventos em produções cinematográficas conforme divulgado pela revista Variety.

Devido a isso, foram necessárias novas filmagens durante mais de três semanas adicionais, custando entre US$10 milhões e US$15 milhões conforme reportado pela mesma publicação. O filme termina com Michael no palco apresentando Bad em Londres em 1988, enfatizando assim a decisão da produção em priorizar seu legado musical ao invés dos desafios pessoais enfrentados pelo artista.

A produção enfrentou atrasos adicionais quando a residência do roteirista foi afetada pelos incêndios em Los Angeles em 2025. Com isso, o lançamento previsto para abril daquele ano foi transferido para outubro antes da data final estabelecida. Para os fãs ansiosos por mais conteúdo sobre o cantor, há promessas de novas produções já que o material original chegou a ter três horas e meia enquanto a versão final tem pouco mais de duas.

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Jaafar Jackson como Michael na gravação de Thriller
Foto: Glen Wilson

A ausência de Janet Jackson

Produzido por Graham King e com as refilmagens realizadas sob supervisão dos responsáveis pela herança do cantor – incluindo John Branca (representado no filme por Miles Teller) – e John McClain – além dos irmãos Jermaine, Tito, Jackie, Marlon e LaToya atuando como produtores executivos. Contudo, Janet Jackson não aparece nem é mencionada no longa-metragem e optou por não participar dos eventos promocionais. LaToya mencionou à Variety que “ela foi convidada mas gentilmente recusou”, destacando que “devemos respeitar seus desejos”. O diretor Antoine Fuqua declarou ter grande respeito por Janet e ressaltou que seu apoio a Jaafar é o que realmente importa.

Dos filhos de Michael Jackson, apenas Prince esteve presente durante as filmagens diárias. Bigi e Paris não fizeram parte do projeto; Paris criticou publicamente afirmando haver “muitas inverdades” na narrativa apresentada. Em um vídeo nas redes sociais ela declarou que “o filme atende apenas uma parcela específica dos fãs do meu pai que ainda estão imersos nesse mundo fantasioso”.

Jaafar como Michael em apresentação de Billie Jean
Foto: Glen Wilson

O sobrinho no papel principal

Por outro lado, Jaafar Jackson foi escolhido para interpretar Michael. Com apenas 29 anos e filho de Jermaine – um dos dez filhos de Joe e Katherine – ele cresceu rodeado pela música desde pequeno. Residiu na antiga mansão da família Hayvenhurst onde todos viveram juntos. Sem experiência anterior na atuação, dedicou dois anos ao aprendizado sob orientação profissional enquanto treinava intensivamente as coreografias icônicas com os coreógrafos Rich e Tone Talauega. Ele teve acesso aos arquivos pessoais do cantor já que faleceu quando Jaafar tinha apenas treze anos; durante essas visitas ocasionais à casa antiga da família não havia muita proximidade entre eles. Para se aproximar fisicamente da aparência do tio nos bastidores contou com o trabalho do maquiador Bill Corso; sob certos ângulos sua semelhança é impressionante.

As músicas

A produção busca agradar aos admiradores ao focar nas músicas marcantes da carreira do cantor. Juliano Valdi interpreta clássicos da infância musical dele como “ABC” e “I’ll be there”. Embora encerrando o longa-metragem com “Bad”, gravado no estádio Wembley em Londres em ’88 – cuja apresentação foi uma das primeiras filmadas – também foi recriada a performance icônica de “Billie Jean” no especial Motown 25: Yesterday Today Forever, celebrando o aniversário da gravadora responsável pelo sucesso dos Jacksons globalmente. Além disso, o filme detalha o processo criativo por trás dos videoclipes “Beat It” e Thriller.

O figurino

No momento em que se desvinculou das restrições familiares para assumir sua própria carreira artística, Michael tornou-se conhecido por seu estilo visual inconfundível. Caracterizava-se pela luva brilhante adornada com lantejoulas; jaquetas militares; sapatilhas pretas combinadas com meias brancas; além dos óculos aviador característicos. A figurinista Marci Rodgers (responsável pela obra Infiltrado na Klan), fez a recriação desses looks icônicos após visita ao Museu Grammy onde inspecionou pessoalmente itens como a jaqueta vermelha usada no videoclipe Thriller;, confeccionada por Marc Laurent; bem como trajes inspirados na turnê Bad.. Com fita métrica em mãos para medir detalhes preciosos das roupas incluindo fivelas das peças; ela também conversou com especialistas sobre as vestimentas originais revelando que as calças precisaram ser tingidas manualmente já que naquele tempo não haviam versões vermelhas disponíveis pela Levi’s; seguindo essa linha ela também fabricou à mão as luvas destinadas ao ator Jaafar.

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By Beleza Sempre Viva

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