Hamnet explora o luto de forma intensa em performances emocionantes.

Prepare os lencinhos: Hamnet, o vencedor do Globo de Ouro de melhor filme dramático e do Globo de Ouro e do Critics Choice de melhor atriz dramática tem provocado choro e soluços nas sessões mundo afora desde que estreou no Festival de Telluride.

Baseado na ficção histórica de Maggie O’Farrell, o longa-metragem dirigido por Chloé Zhao (ganhadora do Oscar nas categorias de filme e direção por Nomadland, de 2020) estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (15.01). Ambientada no interior da Inglaterra, no século 16, a trama traz Jessie Buckley como Agnes, que se casa com o professor de latim Will (Paul Mescal) e tem dois filhos com ele, Judith (Olivia Lynes) e Hamnet (o fenomenal Jacobi Jupe). Agnes é uma mulher com uma relação profunda e espiritual com a natureza, a terra, as árvores. Will tem o desejo de escrever e, incentivado pela mulher, parte para Londres, com a promessa de uma reunião familiar futura.

Chloé Zhao, Paul Mescal e Jessie Buckley.
Foto: Agata Grzybowska / © 2025 FOCUS FEATURES LLC

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Quando a tragédia se abate sobre a família, os dois processam o que aconteceu de maneiras opostas: Agnes reage de maneira visceral, e ele usa a arte, escrevendo uma das maiores peças de teatro da história, Hamlet, assinando William Shakespeare. O livro, ficcional, especula sobre aspectos pouco conhecidos da vida do dramaturgo, imaginando como teria sido o luto pela perda do filho do casal, em 1596, e como ela teria influenciado a criação da tragédia, poucos anos depois.

A interpretação da protagonista Jessie é daquelas memoráveis, e seus discursos de agradecimento têm sido charmosos e emocionantes. A caminho de seu primeiro Oscar (ela já havia sido indicada à estatueta de coadjuvante por A Filha Perdida, em 2022), a atriz está tentando lidar com a fama.

“Eu me sinto muito desconfortável. Tenho uma vida muito simples. Chego em casa, faço torradas, cozinho, cuido do jardim (muito mal, por sinal), acendo a lareira e leio. Eu não conheço esse mundo. Estou tentando estar presente e vivenciá-lo da forma mais autêntica possível. Não quero fingir ser algo que não sou”, disse na rodada de entrevistas com a participação da ELLE, em que o elenco e a diretora do filme falaram sobre a comunhão no set e como Shakespeare continua oferecendo inspiração tantos séculos mais tarde. Confira como foi a conversa.

O interesse de contar a história dessa mulher esquecida

Chloé Zhao: “Maggie O’Farrell tinha paixão para contar a história sob a perspectiva de Agnes. Aliás, não só ela se perdeu na história. Hamnet, também. É o lado mais terno, mais feminino da vida de Shakespeare sendo apagado. Pode haver uma tendência de desumanizar nossos gênios, nos fazer pensar que o gênio está de alguma forma dissociado do mundo material, que tudo vem do espírito. Na verdade, eles simplesmente vivem a vida. E então sentem a vida, vivenciam-na e se inspiram. E essa é uma qualidade muito feminina. Maggie e todos nós nos sentimos bastante apaixonados por desmistificar essa parte de Shakespeare”.

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O retrato do luto

Jessie Buckley: “É impossível criar uma ideia do que é o luto, porque é algo completamente pessoal e não tem começo nem fim. Perder um filho é insondável e, com todo o respeito por quem já passou por isso, eu pensei: ‘Para onde quer que isso me leve, estou aqui, e vou até lá’. Eu não fazia ideia de que me levaria para onde me levou, mas alimentei essa chama o máximo que pude para chegar a esse ponto. E o que surgiu, surgiu, não teve nada a ver comigo. O luto é algo com que todos podemos nos identificar. O que ela sente é o grito de centenas de mães e de pais que perderam filhos ou pessoas que perderam entes queridos, ou algo que veio de algum lugar que eu realmente não sei e nem quero saber. Eu não queria contar uma história sobre luto. Queria contar uma história sobre amor e humanidade, e sobre como é complexo, corajoso e destemido viver plenamente sabendo que somos mortais. Vivemos e transitamos entre a vida e a morte desde o momento em que nascemos ou somos concebidos, e esse é também o ato da criação em todas as suas formas”.

Jessie Buckley e Paul Mescal.
Foto: Agata Grzybowska / © 2025 FOCUS FEATURES LLC

O papel da arte

Jessie Buckley: “Eu não quero usar a narrativa como terapia, mas como algo para vivenciar a vida mais plenamente e me tornar mais humana por meio da minha arte e do meu trabalho. Tem sido um aprendizado pelo qual sou muito grata, simplesmente por entender o que é ser humano e estar vivo”.

Chloé Zhao: “A dor faz parte da nossa vida. Nós sobrevivemos como espécie desde o princípio por usarmos narrativas para dar algum significado, alguma ordem, ao caos da nossa existência. Muitos filósofos modernos escreveram sobre a capacidade do Homo sapiens de acreditar em coisas que não existem. Sejam heróis ou dinheiro, qualquer coisa que não exista, mas que possa nos conectar de alguma forma. E, para o bem ou para o mal, a narrativa nos torna humanos de alguma forma”.

Paul Mescal: “Se existe alguma religião com a qual eu me identifico, é a arte. E acho que ela é uma salvação. Definitivamente, foi uma salvação para mim em certos momentos da minha vida. Há uma grande parte da população mundial que só recorre à arte em momentos de crise. Quando alguém morre ou você se casa, você tem uma música para dançar, um poema para recitar em um funeral. E é por isso que a arte é importante. Ela comunica algo em momentos de crise ou em momentos de grande alegria”.

 

As diferenças do luto

Paul Mescal: “No livro, Will está muito mais ausente do que no filme. Acho que a Ch

By Beleza Sempre Viva

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