Durante os últimos vinte anos, Yayoi Kusama tornou-se amplamente reconhecida por suas instalações que utilizam espelhos e luzes pontuais, além de colaborações comerciais, destacando-se duas parcerias significativas com a Louis Vuitton.
Entretanto, a trajetória da artista japonesa, que faleceu na quarta-feira (26.08), ultrapassa essa estética popular e começou a conquistar notoriedade ainda nos anos 60, inserindo-se na vanguarda artística de Nova York.
A seguir, apresentamos três curiosidades sobre o legado de Yayoi, cuja obra pode ser apreciada no Brasil em Inhotim:
Atuações com conteúdo político
Em busca de expandir sua carreira artística, Yayoi se mudou para os Estados Unidos no final da década de 1950. A partir de 1968, como uma forma de protesto contra a Guerra do Vietnã (1959-1975), ela reuniu voluntários em locais icônicos de Nova York, como a Estátua da Liberdade e Wall Street. Juntos, despindo-se para que Yayoi pudesse pintar seus corpos com suas famosas bolinhas ainda pouco conhecidas na época. Enquanto isso, ela permanecia vestida.
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Uma marca de roupas provocativa
No final dos anos 60, Yayoi lançou sua própria linha de roupas com um toque provocador. Muitas das peças apresentavam recortes ousados que expunham seios, nádegas ou genitália. Para sua performance intitulada Casamento homossexual (1968), ela confeccionou um vestido de noiva projetado para duas pessoas. Na década seguinte, criou roupas que podiam ser usadas por várias pessoas simultaneamente, carregando uma conotação sexual. Em anos recentes, a artista passou a desenhar suas próprias peças vestíveis decoradas com padrões inspirados em suas pinturas.
Livros e biografia
Entre as décadas de 1970 e 1990, Yayoi escreveu diversos romances e coletâneas de poemas. Em 2002, lançou Infinity Net: The autobiography of Yayoi Kusama. Nesse livro, ela rememora suas relações com artistas como Donald Judd, Andy Warhol e Georgia O’Keeffe. Esta última foi quem incentivou Yayoi a se mudar do Japão para os EUA através de correspondências nos anos 50. No relato autobiográfico, também estão presentes memórias sobre as visões que a acompanharam durante toda sua vida e sua internação voluntária em um hospital psiquiátrico no Japão em 1970. Anos depois do lançamento do livro, comentários considerados racistas foram resgatados e a artista emitiu um pedido público de desculpas.
