O encontro musical que originou a turnê Que mulher é essa?!, da renomada cantora e compositora Simone, pode parecer surpreendente à primeira vista. Com 76 anos, Simone confiou a direção musical e os arranjos a Ana Frango Elétrico, um produtor, compositor e cantor de apenas 28 anos, conhecido por sua ligação com a cena indie carioca e o experimentalismo.
A diferença geracional entre os dois é de quase cinco décadas, mas eles compartilham aspectos comuns e divergentes. Por exemplo, o show destaca a figura feminina no centro das atenções, enquanto a identificação de Ana como não-binária reflete uma realidade que não existia em 1973, ano em que Simone trocou o basquete pela música.
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Foto: Rodrigo Januário
Consciente das mudanças sociais e culturais, Simone trabalha para reduzir essa lacuna ao incluir em seu repertório uma nova versão da canção “Mulher homem bicho”, que segundo Ana aborda a temática da não-binariedade. Essa parceria com Ava Rocha foi lançada em 2020 e traz letras como “seu amor feminino me deixou de quatro/ por cima de toda razão, convenção”.
Junto ao estilista Ronaldo Fraga, que cuida da direção artística e dos figurinos de Que mulher é essa?!, Simone e Ana elaboraram um repertório que explora canções de artistas como Roberto e Erasmo Carlos (“Se você pensa”), Gonzaguinha (“Petúnia Resedá”, “Eu nem ligo”), Milton Nascimento (“Maria, Maria”), Lô Borges (“Tudo que você podia ser”), Caetano Veloso (“Baby”), Chico Buarque (“Iolanda”), Belchior (“Velha roupa colorida”) e Cazuza (“Quando eu estiver cantando”). O projeto também valoriza compositoras como Sueli Costa (“Jura secreta”, “Face a Face”), Rita Lee (“Cor de rosa choque”, “Bem me quer”), Marina Lima (“Grávida”) e Dona Onete (“Quando eu te conheci”).
A turnê de Que mulher é essa?! teve início em São Paulo no dia 1º de agosto, já passou pelo Rio de Janeiro e Fortaleza, e seguirá para Aracaju (22 de agosto), Belo Horizonte (12 de setembro), Curitiba (19 de setembro), Recife (25 de setembro) e Porto Alegre (13 de dezembro). Em entrevistas realizadas com exclusividade à ELLE, Simone e Ana discutiram temas como encontros, sexualidade, feminismo, machismo e as diferenças entre gerações.
“Disse (para Ana): ‘Me tire do conforto, me provoque, me desconcerte; eu quero isso’.” – Simone
Simone, Ana & Ronaldo
Simone: “No nosso primeiro encontro, vi Ana como um espetáculo; ela tem uma postura firme. Queria alguém que me desafiasse. Então disse: ‘Me tire do conforto’. Já tinha convidado Ronaldo Fraga para participar. Esse encontro entre nós três trouxe uma energia provocativa. Foi algo intenso; ninguém ficou sentado confortavelmente. Um dia eu disse brincando: ‘Vocês têm cada um 30% das ideias; eu fico com os outros 40%’ (risos). É um processo desafiador. Está sendo maravilhoso”.
Ana Frango Elétrico: “Iniciamos uma colaboração que se mostrou ter mais afinidade do que esperávamos. Embora alguns discos da Simone não se conectem diretamente comigo, outros têm tudo a ver com meu trabalho. Escuto músicas antigas desde os anos 1950 até os dias atuais. A mistura entre nós três tem sido muito rica”.
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Foto: Rodrigo Januário
Afinidades Musicais
Ana: “À primeira vista nossas músicas podem parecer diferentes uma da outra; contudo temos gostos semelhantes. A extensa carreira da Simone abrange álbuns que se conectam mais comigo do que outros. Foi nesses trabalhos que me inspirei para o show. O resultado foi uma grande afinidade entre nós.”
Simone: “No início estava incerta sobre a disposição dela em trabalhar comigo. Felizmente encontramos um ponto em comum. Eu venho colaborando com uma banda jovem composta por Chico Lira (piano), Felipe Coimbra (violão e guitarra), Vitor Cabral (bateria) e Giordano Bruno (baixo). Quando Chico começou tinha apenas cerca de 23 anos. Eles são músicos incríveis com opiniões fortes. A liderança da Ana sobre eles é notável.”
Ana: “Simone desejava percorrer todo o Brasil e buscou reduzir o número de integrantes para ampliar as possibilidades musicais. Optamos por um quarteto que traz suas próprias limitações e vantagens – onde a música dita as diretrizes criativas.”
“A gente se mete pra caramba; não sei como ela aguenta!” – Ana Frango Elétrico
Que mulher é essa?!
Simone: “Que mulher é essa?!” Ana Frango Elétrico: (rindo) “É um show dedicado às mulheres; criado por uma mulher jovem.” – Ela fala sobre o respeito pelas mulheres retratadas nas composições.
Ana: “O tema do show reverencia as mulheres em geral.” – Para mim é também uma homenagem à própria Simone.” Ela é a ‘mulher’ referida na frase “Que mulher é essa?”. Com isso ela canta compositores que marcaram sua trajetória.”
A ousadia dos arranjos de Ana Frango Elétrico
Ana: “Não vejo minha abordagem como ousada.” – Acredito que meu nome pode causar estranhamento mais do que minha música.” – Algumas canções clássicas são tão perfeitas que não sinto necessidade de alterá-las.” O foco era homenagear a irreverência dela através do repertório.”
Simone: “Ana trouxe sua identidade aos arranjos.” – Ela criou todos os arranjos mesmo nas músicas mais conhecidas.” Sempre perguntava se eu estava confortável com as mudanças.” E foi assim construindo nossa parceria.”
Ana sobre “Mulher homem bicho”
Ana: “Simone quis cantar ‘Mulher homem bicho’, uma escolha audaciosa.” – Isso demonstra sua modernidade.”
Dizendo ainda: “A letra questiona normas tradicionais.” – Sua disposição para explorar esses temas mostra sua vitalidade.” – É inspirador vê-la abraçar esse projeto.” “Ela realmente representa a modernidade”. “
Sobretudo:
“O refrão final encapsula tudo isso.”
“Eu não impus pronomes para Simone; acaba sendo espontâneo – As pessoas acabam chamando-me pelo nome “Frango”!” said Ana Frango Elétrico.
A relação com Ronaldo Fraga no figurino
Sobretudo:
Simone:“Ronaldo apresentou-me o figurino na primeira noite do show.” – “Ele fez mudanças importantes quando mostrei resistência às suas ideias,” porém sua visão era inovadora.”
A experiência sobre não-binariedade com Ana Frango Elétrico
Ana:“Identifico-me como pessoa não-binária.” Meu álbum recente aborda este tema diretamente através das letras,” onde falo sobre identidade sem restrições.
“Desde então tenho explorado essa temática nas minhas músicas,” finaliza.
Analisando ainda:
Sobretudo:“Essa geração está sempre conectada,” diz Simone;”E preciso respeitar isso”.
Ela reflete sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres ao longo dos anos.”
Navegando pelos relacionamentos amorosos
Sobretudo:“Sempre fui aberta sobre minha vida pessoal,” confessa Simone;”mas respeito profundamente minha parceira reservada”.
“Batalhei contra preconceitos sociais ao longo dos anos”, diz ela.
A gratidão pela coragem feminina na voz de Ana Frango Elétrico
“A coragem dela permite-me viver abertamente,” observa Ana.”
Mudanças sociais refletidas no machismo contemporâneo
“Nos anos passados havia predominância masculina na indústria musical”, explica Simone;”e isso exigiu luta constante”.
Contudo,”as mulheres continuam enfrentando desafios como feminicídio”,”o caminho à igualdade ainda precisa ser percorrido”.
Caminhos futuros para o duo musical
“A intenção é gravar novas canções juntos”, observa Ana,”e certamente haverá frutos dessa união criativa”.
“Estou ansiosa para novas experiências ao lado dela”, conclui.
Muito além disso:
“Vamos viajar juntos,” prevê Simone;”quero levar Ana comigo onde quer que vá”.
E conclui:”Uma grande conexão nasceu deste projeto”.
