“O que realmente me envergonha não é a derrota, mas sim a falta de compromisso, a acomodação e a decadência.” Gregorio Duvivier expressa sua frustração em relação à seleção brasileira, que foi eliminada da Copa do Mundo. Ele acompanhou o torneio com intensidade, torcendo e sofrendo mais do que esperava.
Essa declaração reflete muito sobre quem ele é: aos 40 anos, o ator, escritor e humorista carioca continua a ser um observador perspicaz da realidade nacional, demonstrando seu amor pelo Brasil de forma intensa e crítica. Por isso, ele não hesita em condenar momentos de acomodação.
E acomodação é algo que não se vê na vida de Gregorio atualmente. Ele está vivendo um dos períodos mais produtivos de sua carreira. O céu da língua, seu monólogo que estreou em Lisboa em 2024 e chegou ao Brasil no ano seguinte, já atraiu mais de 300 mil espectadores em dez países, incluindo locais onde o português não é a língua predominante.
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A peça foi dirigida por Luciana Paes e transformou uma paixão infantil pelas palavras em um sucesso tanto financeiro quanto crítico. O reconhecimento veio com o Prêmio Bibi Ferreira de melhor ator em 2025 e também com os prêmios do Humor RJ em duas categorias em 2026 — melhor texto e espetáculo — além do APTR referente à melhor dramaturgia.
Com base nessa experiência no palco, ele lançou seu sexto livro intitulado Aos pés da letra, em maio pela Companhia das Letras. A obra explora com humor e erudição como a língua reflete nossa identidade.
Além disso, ele também apresenta o podcast Calma Urgente!, onde discute temas contemporâneos ao lado de Bruno Torturra e Alessandra Orofino em um formato mais reflexivo que se opõe à urgência das notícias diárias.
Por outro lado,
enquanto o Porta dos Fundos continua a evoluir após seus quatorze anos desde a fundação por Gregorio junto com Fábio Porchat e João Vicente de Castro,
ele busca criar sua própria obra pessoal fora desse contexto.
Uma das suas produções mais recentes foi uma audiossérie chamada The father is where?, na qual ele explorou o tema da paternidade através de entrevistas com diversas pessoas até culminar numa conversa íntima com seu pai, Edgar Duvivier.“Foi uma experiência impactante para mim”, afirma Gregorio.
Em uma entrevista exclusiva,, ele discute sobre sua peça familiar,e suas conexões com Portugal,, além de abordar como a discussão sobre a existência de uma língua brasileira transcende questões linguísticas para se tornar um debate político profundo.E ainda reflete sobre as surpresas que continuam a surgir após anos dedicados ao humor e à poesia.
…No que diz respeito ao impacto e sucesso de Céu da Língua, você já imaginava?
Você já teve outros projetos que te levaram por tantas partes do Brasil?
No passado já fiz longas turnês com outras peças, inclusive uma chamada A Night on the Moon (2012–2015). No entanto, acredito que Céu da Língua tenha alcançado um alcance maior até agora. Sinto que ainda haverá muitas viagens pela frente.Parece-me uma grande sorte ter esse reconhecimento..A peça teve início em Lisboa, mas você parece ter uma ligação mais profunda com Portugal. O que te conectou inicialmente ao país?
A recepção sempre foi excepcional por lá.A cultura portuguesa tem uma forte ligação com a língua e um senso de humor poético inconfundível.Nada traz mais orgulho para eles do que sua poesia.
E há razões válidas para isso: Fernando Pessoa é considerado um dos maiores poetas do século XX.
Basta pensar também em José Saramago ou António Lobo Antunes para perceber como essa tradição literária é rica.LEIA MAIS Exposição revisita trajetória de Alcione “Eu sou uma negona de tirar o chapéu”
“A peça foi criada colaborativamente.”
A direção é assinada por Luciana Paes. O que ela traz para este projeto que você considera único? Qual é sua dinâmica durante o processo?
A força dela é inigualável! Desde que assisti à primeira apresentação dela eu quis trabalhar junto! Por coincidência ela acabou me dirigindo nesta peça porque não pôde atuar na data combinada. A construção foi feita em conjunto;só falamos antes de transcrever tudo posteriormente!.Sua irmã Theodora criou as projeções visuais da peça,,e vocês estão juntos nessa turnê há mais de um ano.Nessas circunstâncias tão próximas,oque acontece nas relações?
Já éramos muito próximos antes dessa peça,, mas esse trabalho nos uniu ainda mais! O teatro possui essa magia:“ele cria laços familiares”.
Meu projeto anterior também teve minha outra irmã como diretora! (Portátil). Meu irmão João faz parte da produção deste espetáculo! Adoro essa sensação circense! Me sinto parte de uma trupe!”“Aos pés da letra” traz muitos significados!” (existe rendição na linguagem)” .
“Discutir se existe ou não uma língua brasileira vai além das questões linguísticas.” “É algo político!”
“Uma língua se torna poderosa quando possui apoio político!”
No Festival de Curitiba você comentou sobre suas palavras favoritas… “Marimbondo.” O que faz dela especial para você?
As preferências mudam constantemente! Gosto das palavras únicas,que surgiram na nossa língua sem vínculos clássicos ou etimológicos específicos!
“Gosto muito dessas expressões exóticas!”
Você utiliza humor como ferramenta política há anos… existe algo tão sério hoje em dia que você acha difícil fazer piada?
Penso que nada seja proibido… as piadas apenas perdem seu valor quando são repetitivas! O humor precisa inovar sempre!
No podcast “Pai tá onde?” você buscou entender seu papel como pai através das experiências dos outros…oque te levou até essa questão tão pessoal?
Perguntei-me sobre paternidades possíveis… era pra ser uma investigação ampla,&nbps;>e acabei conversando com meu pai
terminando nesse lugar tão íntimo.</h6 >Não consigo deixar de sentir vergonha pela seleção quando ela decepciona…o futebol é assim mesmo?
Dói ver nosso país representado assim…a derrota não me envergonha tanto quanto essa falta comprometimento!
E depois dessa jornada cheia de risadas e versos…oque ainda te surpreende?
A beleza das palavras continua sendo fascinante…elas têm poder transformador!
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