Quando abordamos o tema skincare, é comum associar o uso de ácidos, como o glicólico, apenas aos cuidados faciais. Contudo, esses compostos, que são populares para a pele do rosto, também podem ser valiosos na rotina de cuidados corporais, especialmente para quem lida com problemas como foliculite e queratose pilar, além de áreas com pele mais áspera.
Entretanto, é importante ressaltar que nem todos os ácidos utilizados no rosto são adequados para a pele do corpo. Cada ativo possui uma função distinta. O dermatologista Kenji Nakahara, graduado pela Universidade de São Paulo, afirma que o primeiro passo em qualquer tratamento deve ser a hidratação da pele.
“A foliculite e a queratose pilar ocorrem quando a camada superficial da pele se torna mais espessa, dificultando a saída dos pelos. O tratamento inicial eficaz para a maioria dos casos é a hidratação”, comenta o especialista. Isso ocorre porque um bom hidratante pode amolecer a camada córnea da pele, facilitando a emergência dos pelos. Em muitos casos, essa abordagem pode ser complementada com ativos queratolíticos, que incluem:
Ácido glicólico
Dentre os ácidos recomendados, o glicólico se destaca como um dos preferidos entre os profissionais da dermatologia. Classificado como um alfa-hidroxiácido (AHA), ele promove uma esfoliação química suave, acelerando o processo de renovação celular e aprimorando a textura da pele.
Conforme Kenji informa, o uso contínuo do ácido glicólico é especialmente benéfico para aqueles que enfrentam queratose pilar. “Na prática clínica, costumo sugerir aos meus pacientes com essa condição o tônico esfoliante iluminador Glycolic Acid 7%, da The Ordinary; ao longo do tempo, ele ajuda a afinar essa camada cutânea”, revela. O resultado esperado é uma pele mais lisa e menos áspera, com diminuição das bolinhas formadas pelo acúmulo de queratina.
Dove, R$ 48
LEIA MAIS: Para que servem os ácidos no skincare?
The Ordinary, R$ 148
Ácido salicílico
Outro composto amplamente conhecido é o ácido salicílico, um beta-hidroxiácido (BHA) que atua como um agente queratolítico e auxilia na desobstrução dos poros. “O salicílico também pode ser utilizado para isso; no entanto, devido à extensão da área corporal, tende-se a não utilizá-lo com tanta frequência”, esclarece o dermatologista. Geralmente, este ativo é reservado para áreas específicas ou situações pontuais e deve sempre contar com supervisão médica.
Eucerin, R$ 94
Leia mais: Sua pele está seca? Esta é a tecnologia que vai salvar sua rotina de inverno
Ácido retinóico
No caso de queratose pilar ou foliculite mais severas e resistentes aos tratamentos convencionais, o ácido retinóico ou tretinoína pode ser considerado. “Quando o paciente apresenta uma condição extensa ou significativa, optamos pelo tratamento medicamentoso. Este ácido ajuda a tornar essa região da pele mais fina e permite que os pelos emerjam sem inflamações, prevenindo foliculite e bolinhas endurecidas”, detalha Kenji. Contudo, como se trata de um medicamento que pode causar irritação e aumentar a sensibilidade ao sol, seu uso deve ser sempre orientado por um profissional da dermatologia.
Ácido hialurônico
Embora seja um componente comum em diversas rotinas de cuidados com a pele, o ácido hialurônico não desempenha o mesmo papel dos ativos queratolíticos. Segundo o especialista consultado, ele atua como um hidratante leve. “Para uma hidratação corporal mais efetiva, priorizamos produtos que contenham glicerina, ceramidas ou manteiga de karité; estes ativos são mais densos e conseguem reter melhor a água na pele”, explica.
Neutrogena, R$ 50
Leia mais: Gloss com ácido hialurônico: 8 opções para hidratar os lábios e renovar o nécessaire
E quanto à ureia?
Embora não seja classificada como um ácido, a ureia merece atenção especial quando se busca melhorar a textura da pele corporal. De acordo com Kenji Nakahara, seus efeitos variam conforme sua concentração. Em concentrações entre 3% e 10%, ela atua predominantemente como um potente umectante que auxilia na atração e retenção de água na pele; já acima de 10%, começa também a exercer ação queratolítica.
“A ureia cumpre duas funções essenciais: hidrata e afina a pele; isso ajuda na prevenção da foliculite e da queratose pilar ao deixar a textura cutânea mais suave. É especialmente recomendada para áreas com pele mais grossa como pés e cotovelos”, conclui.
