Criar looks que ajudem na construção de personagens já é, por si só, um desafio. No caso de Avatar: Fogo e cinzas, a figurinista Deborah L. Scott, que chegou a afirmar que “nem sabia ligar um computador” quando embarcou na franquia, supervisionou de perto a transposição de peças físicas para o ambiente digital. Em Frankenstein, a fidelidade histórica ao século 19 abriu espaço para doses de fantasia para contar uma das mais célebres histórias de terror. Já em Hamlet, o objetivo não era a reprodução fiel da indumentária do século 16 da narrativa, mas revelar o interior dos personagens por meio do figurino. Em Marty Supreme, o foco recai sobre a Nova York de 1950 e sobre como o figurino do protagonista espelha sua ambição. Pecadores também faz um retrato fiel à sua época, a Mississipi dos anos 1930, e deu a Ruth E. Carter sua quinta nomeação ao Oscar, o que fez dela a mulher negra mais indicada ao Oscar, superando Viola Davis.
A seguir, conheça as histórias por trás dos indicados a melhor figurino no Oscar 2026:
Avatar: Fogo e cinzas
A figurinista:
Deborah L. Scott começou sua longa parceria com o diretor James Cameron com Titanic (1997), que lhe rendeu seu primeiro Oscar e se estendeu para os três filmes da saga Avatar até aqui. Nos anos 80, a estadunidense já deixava sua marca no cinema, assinando figurinos de blockbusters como E.T., o Extraterrestre (1982), De Volta para o futuro (1985) e Quem é essa garota? (1987).
O figurino:
A natureza digital do filme tornou o trabalho de Deborah ainda mais complexo. Foram necessários inúmeros testes de movimento, ajustes entre o figurino seco e molhado, além de adaptações. Além disso, a criação de figurinos físicos foi essencial para assegurar a autenticidade da vestimenta. Dessa forma, também foi possível que os atores ensaiassem com os protótipos, enquanto a equipe observava os figurinos em cena. Para certificar-se que as vestimentas seriam transportadas para o mundo digital da melhor maneira, a estilista trabalhou em dobro, acompanhando de perto a equipe de efeitos visuais, responsável por digitalizar cada item. No novo filme, a família de Jake e Neytiri encontra o Povo das Cinzas, enquanto enfrenta o luto. Para essa nova e agressiva tribo Na’vi, Deborah…
Preste atenção…
… Na capa do Chefe Peylak, interpretado por David Thewlis, que reproduz o nascer ou o pôr do sol, dependendo do ângulo de observação.
Outras indicações:
Melhores efeitos visuais.
Onde assistir: em cartaz nos cinemas.
Frankenstein
A figurinista:
Indicada ao seu primeiro Oscar, Kate Hawley começou pintando cenários para óperas e produções teatrais. A neozelandesa fez parte da equipe da franquia de filmes sobre Hobbit (2012-14) e assinou os figurinos de Esquadrão suicida (2016), que rendeu uma fantasia hit entre as fãs da Arlequina, e da série O senhor dos anéis: Os anéis do poder (2022-). A parceria com Guilhermo Del Toro começou com Círculo de fogo (2013) e se estendeu para A colina escarlate (2015).
O figurino:
Para construir o universo de Frankenstein, Kate estudou a arte, a literatura e o contexto geográfico do século 19, período em que a narrativa se ambienta. Apesar da fidelidade histórica, ela teve uma dose de liberdade criativa. “No fim das contas, estávamos trabalhando com uma fantasia, então, pudemos fazer concessões”, disse à ELLE. Em parceria com a diretora de arte Tamara Deverell e o diretor de fotografia Dan Laustsen (ambos indicados ao Oscar), ela desenvolveu a paleta de cores que integra figurinos e cenários, equilibrando tons claros e intensos. Os looks de Elizabeth (Mia Goth) traduzem o fascínio pela natureza da personagem, com estampas inspiradas na anatomia de insetos e estruturas celulares. “Tudo lembra insetos, mas de acordo com a época”, diz Kate. A Tiffany abriu seus arquivos para a figurinista e Elizabeth exibe joias marcantes em cena. Já Victor (Oscar Isaac), cientista que dá vida à Criatura (Jacob Elordi), combina a moda histórica do século 19 com influências do rock e do cinema gótico – Prince, David Bowie e principalmente o bailarino Rudolf Nureyev foram…
