Simone de Beauvoir, renomada autora que dedicou parte significativa de sua obra mais famosa, O segundo sexo, a desafiar a submissão das mulheres, teve sua morte narrada em relação a um homem. Em 1986, o famoso jornal Le Monde anunciou seu falecimento com a declaração: “Desta vez, os filhos de Sartre estão verdadeiramente órfãos. O álbum de família se encerra com o casal intelectual mais lendário do século. Apenas seis anos separam suas duas mortes.”
Num instante de reflexão, o texto questiona qual das vidas, entre a de Sartre e a de Beauvoir, teve um impacto maior. Mesmo que Sartre fosse considerado mais talentoso, a dedicação de Beauvoir pode ter sido mais influente em sua época.
A escritora Simone de Beauvoir revisando o manuscrito de suas memórias, em Paris, nos anos 1950.
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Esse padrão de subvalorização simbólica, que exigia referenciar Beauvoir através de relações masculinas, ainda persistia mesmo quando o foco era a própria autora. A leitura de suas obras hoje continua sendo perturbadora e essencial.
