Manter a relevância de uma marca por mais de 25 anos, crescer sem sócios e sustentar uma produção quase toda interna é algo raro. Ainda assim, essa é a trajetória de Fabiana Milazzo. Com a label homônima, a estilista construiu a sua reputação principalmente com moda festa e hoje vive um momento de expansão da casa, marcado pelo fortalecimento da alfaiataria e pela ampliação de propostas mais casuais.
A história profissional da mineira, no entanto, não começou na moda. Fabiana se formou em direito na Universidade Federal de Uberlândia antes de se mudar para a Itália, em 1995, para estudar na Academia Italiana de Moda, Arte e Design. Por lá, ela ainda se especializou em modelagem no Instituto Callegari e aprofundou os seus conhecimentos em alfaiataria. “A parte técnica é fundamental para um designer conseguir criar”, diz.
A estilista.
Foto: Bruno Barreto
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De volta ao Brasil no final de 2000, a etiqueta Fabiana Milazzo foi lançada. Durante dez anos, o foco do negócio permaneceu exclusivamente nas lojas próprias e na venda direta ao varejo. A estratégia fazia sentido, já que os variados vestidos para aniversários, casamentos e outros eventos especiais envolvem processos manuais minuciosos. Alguns looks, feitos artesanalmente, podem levar até quatro dias para ficarem prontos.
O contato direto com as clientes foi decisivo para o passo seguinte: adaptar a empresa ao mercado de atacado. A virada aconteceu por volta de 2010, quando a estilista recebeu um convite para participar do Minas Trend, a semana de moda em Belo Horizonte, Minas Gerais. Para isso, foi necessário ampliar a oferta para além dos longos com bordados e aplicações. Nos últimos anos, o casual e a alfaiataria ganharam cada vez mais espaço. “A aceitação no mercado foi rápida”, relembra. Em poucos anos, a etiqueta passou a ser vendida em mais de 60 multimarcas pelo país.
O desfile de verão 2026 da marca.
Foto: Zé Takahashi
Se antes da pandemia cerca de 80% das vendas estavam concentradas nos looks de festa, hoje a divisão é mais equilibrada, com 60% de festa e 40% de casual. Toda a produção é feita em uma fábrica própria localizada em Uberlândia, onde o ritmo gira em torno de 600 peças por mês. “O vestidão chama mais atenção, é exuberante. Mas a roupa para o dia a dia ganha força”, afirma. Nessa linha aparecem calças jeans, camisas, quimonos, jaquetas e até camisetas gráficas.
Entre 2017 e 2022, a marca integrou o calendário da São Paulo Fashion Week, mas atualmente apresenta apenas um desfile solo por ano. “Prefiro me apresentar seguindo o meu timing”, explica. A coleção mais recente, lançada no começo de março e chamada de CI26 UK, nasceu de uma viagem à Inglaterra e tem como ponto de partida a alfaiataria clássica da Savile Row além da corseteria. A apresentação aconteceu simultaneamente à inauguração do endereço da grife em São Paulo, na rua Bela Cintra, nos Jardins.
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