O domingo (08.03) foi de sol aqui em Paris, mas a Lacoste cobriu sua passarela e assentos – na verdade, cobriu toda a arquibancada e a quadra Philippe Chatrier, no estádio Roland-Garros – com uma lona ocre, daquelas usadas para proteger superfícies e objetos contra a chuva. Não foi desconfiança na previsão do tempo, foi inspiração mesmo.
O sucesso de René Lacoste como tenista deslanchou depois de uma partida famosa da Copa Davis, em Deauville, em 1923. O fundador da marca do crocodilo jogava contra o espanhol Manuel de Gomar quando uma tempestade encharcou a grama e forçou a suspensão da disputa. Enquanto o clima não melhorava, atletas e espectadores não tinham outra opção senão recorrer a guarda-chuvas, trench coats, capas, ponchos e galochas. Ah, a disputa se estendeu por dois dias e a vitória foi do francês.
Lacoste, inverno 2026.
Foto: Getty Images
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Corta para 2026. A diretora de criação Pelagia Kolotouros olhou para imagens desse episódio para desenvolver o inverno 2026 da Lacoste. Diferentemente das apresentações anteriores da estilista, esta é menos dominada pela alfaiataria. Ainda há versões de blazers esguios e superleves, calças de corte reto e solto, mas o principal foco são roupas com propriedades funcionais, sobretudo impermeáveis. Com volumes e proporções mais expressivos, há referências aos anos 1980 (década tendência do momento, de novo) e uma linguagem pop reforçada.
O mote climático também serviu de ensejo para a primeira parceria de Pelagia na Lacoste. No caso, com a marca de outerwear britânica Mackintosh. A label é conhecida desde o século 19 por produzir tecidos e produtos pensados para as condições meteorológicas adversas do Reino Unido. Aqui, a collab dá origem a uma série de trench coats, ponchos com modelagens baseadas em camisas polo, saias amplas e versões híbridas, como uma jaqueta-vestido com cintura baixa e saia plissada.
