Celebrar 20 anos de moda poderia levar a um exercício de retrospectiva. Mas não é esse o caminho escolhido pela Erdem. No desfile de inverno 2026 apresentado hoje (22.02) no Museu Britânico, durante a semana de moda de Londres, o estilista Erdem Moralıoğlu usa o aniversário de sua marca como ponto de partida para reorganizar sua própria linguagem, cruzando referências, recortes e memórias.
Erdem, inverno 2026.
Getty images
“Estava determinado a que a coleção não parecesse uma revisão do passado”, disse o estilista à imprensa antes do show. Em vez de seguir uma linha cronológica, ele imagina um encontro entre figuras – históricas, artísticas e literárias – que atravessam seu imaginário, como se todas essas personagens compartilhassem o mesmo espaço.
Erdem, inverno 2026.
Getty images
Essa ideia se traduz nas padronagens florais e jacquards de aparência clássica, recortados e remontados em novas proporções. Ela também está nos tweeds em preto e branco desfiados, com leveza de pluma, e nos bordados coloridos que lembram colagens têxteis. Em muitos looks, diferentes tecidos compõem uma mesma peça, entre eles tafetá, tule, brocados e rendas.
Getty images
As modelagens acompanham esse movimento. Casacos de base alfaiataria são combinados a saias volumosas com cintura marcada. Vestidos com volume na barra criam formas arredondadas, quase escultóricas, enquanto saias plissadas se torcem e se deslocam do eixo tradicional.
A coleção ainda combina peças elaboradas com referências do cotidiano – um aceno à coleção de formatura de Erdem na Royal College of Art, quando apresentou um casaco de alta-costura com calça jeans e tênis. Agora, tops bordados entram com denim de corte reto, vestidos de renda aparecem com mocassins e tecidos nobres ganham acabamentos mais utilitários, como alças aparentes e amarrações simples.
Getty images
Esse jogo também atravessa as referências de época. Golas altas com acabamento rendado, inspiradas em retratos vitorianos, ganham leitura mais leve quando mescladas com saias fluidas e calçados baixos. Vestidos de saia ampla e estruturada, que remetem a silhuetas do século 19, são reinterpretados em materiais mais leves, como organza, tule e tafetá.
Getty images
O romantismo – assinatura central da marca – segue presente nas rendas transparentes, tules sobrepostos e superfícies que misturam delicadeza e desgaste. Em contraste, entram elementos que ancoram tudo no agora: jeans, bases mais esportivas, sapatos boyish e proporções mais soltas.
Getty images
Mesmo nos momentos mais etéreos, como nos looks de plumas ou nos vestidos plissados, há sempre um elemento que traz o conjunto para o presente e afasta leituras nostálgicas. É uma outra forma de olhar para a própria história, menos celebratória e mais crítica. Em vez de cristalizar um legado, Moralıoğlu prefere desmontá-lo e reconstruí-lo a cada temporada.
Getty images
