Desde 2022, Tadeu Schmidt é o único contato entre os confinados do Big Brother Brasil com o resto do mundo durante os 100 dias em que o reality show é exibido. É por meio dele que os participantes descobrem junto com o público quem fica e quem sai da “casa mais vigiada do país”. No ar desde 2002, a 26ª edição do programa estreia na próxima segunda-feira (12.01).
Aos 51 anos, Tadeu construiu uma trajetória de mais de duas décadas na TV Globo, primeiro no jornalismo esportivo – do Esporte Espetacular ao Globo Esporte – e depois no Fantástico – da apresentação do quadro Gols da Rodada (aquele dos cavalinhos uniformizados) até se tornar um dos âncoras do programa.
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Para ele, comandar o BBB foi um dos maiores desafios e também uma das experiências mais transformadoras de sua carreira. “Receber uma oportunidade nova dessas depois dos 40 anos foi incrível”, conta à ELLE. Antes dele, passaram pela produção Pedro Bial (2002-2016) e Tiago Leifert (2017-2021), cada um com a sua maneira de apresentar a atração.
Longe do estilo roteirizado que marcou parte de sua história na TV, Schmidt passou a conduzir um formato em que tudo depende das pessoas, das relações e das escolhas feitas no jogo. “A gente até se prepara, planeja muita coisa, mas tudo depende de quem está ali vivendo aquela experiência.”
Como não poderia deixar de ser, o reality show ocupa o centro da rotina do apresentador, afetando do sono ao dia a dia com a família (ele é casado e pai de duas filhas já adultas). “Nunca deixo de estar conectado”, pontua.
Tadeu conversou com a ELLE pouco antes da nova edição começar:
Como você se prepara para o BBB?
Não tem um ritual específico. Quando uma edição acaba, a gente já começa a pensar na próxima. Todo mundo fica completamente envolvido. A cabeça não para. O mais cansativo não é o físico, mas o mental. Nos 100 dias de programa, fico pensando em dinâmicas, provas, tendo novas ideias. São muitas reuniões para chegar no formato do BBB. Claro que tem uma pausa depois (do fim do programa), mas a partir do segundo semestre tudo se intensifica outra vez. Voltei de uma viagem de fim de ano com a família e já estou com a agenda cheia de compromissos (pelo programa).
Como é sua rotina quando o programa está no ar?
Acompanho o programa durante o dia todo, estou sempre com fone. Mesmo quando estou tentando relaxar, a cabeça continua pensando no jogo. Não existe um momento real de desligamento durante esse período. Nunca deixo de estar conectado. Identifico uma ideia de dinâmica, penso numa coisa de madrugada, mando mensagem para alguém da equipe de provas… Esse pensamento é incessante.
“Durmo quatro horas, no máximo cinco horas por noite. Isso começou durante o BBB, mas depois continuou fora do programa também”
Você dorme quantas horas?
Durmo quatro horas, no máximo cinco horas por noite. Isso começou durante o BBB, mas depois continuou fora do programa também. Aí percebi que era demais. Hoje faço tratamento com um psiquiatra especialista em sono e melhorei bastante. Espero que neste BBB consiga manter uma rotina mais saudável.
Como sua família acompanha seu dia a dia?
Fico bastante ausente. Em casa, a gente conversa muito sobre o BBB. Minhas filhas torcem, discordam, minha mulher também. É uma família brasileira normal, que gosta de assistir ao reality. Mesmo no almoço, a televisão fica sempre ligada. Às vezes, estou ali fisicamente, mas mentalmente ligado ao programa, porque estou o tempo todo disponível, checando o celular. Isso muda bastante a dinâmica da casa.
E quando o reality show acaba?
Faço questão de mostrar a elas que estou sempre presente. Não fico no celular, converso, sento junto e participo daquele momento. Acho importante estar ali de verdade.
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O jogo mexe com você?
A gente sabe que ele impacta muito com as pessoas. E isso também mexe com a gente. Você cria vínculos (com os participantes). Mesmo sem conviver fisicamente, aquelas pessoas passam a fazer parte da sua vida. Quando um participante comete algum erro, penso: “Pô, por que você fez isso?”. E quando alguém sai do programa e consegue dar uma boa continuidade na carreira, fico contente.
Quem escolhe suas roupas para o BBB?
A Mara (Santos), nossa figurinista. Passo para ela algumas referências do que gosto, e ela seleciona tudo para a temporada inteira. Com o tempo, fui mudando o visual, usando coisas que nunca tinha vestido antes na TV, como camiseta. Isso foi acontecendo naturalmente. Na época do Fantástico, era só paletó.
O BBB sempre gera debate em âmbito nacional. Ao longo dos anos, tivemos discussões sobre machismo, cultura do cancelamento, saúde mental, intolerância religiosa, questões raciais, entre outras. Como você enxerga esse papel social do reality?
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