The Pitt estreou no ano passado cercada de um tiquinho de ceticismo. A televisão estadunidense teve produções médicas marcantes como E.R. – Plantão médico (1994-2009), Scrubs (2001-2010), House (2004-2012) e Grey’s anatomy (2005-), mas o gênero parecia meio cansado.
Surpreendentemente, a série criada por R. Scott Gemmill, que volta com sua segunda temporada nesta quinta-feira (08.01), às 23h, na HBO Max, conquistou crítica e público com sua mescla de E.R., devido ao realismo nos casos médicos, e 24 horas, mostrando em 15 episódios as 15 horas de um plantão de pronto-socorro.
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Vencedora de cinco Emmys e três Critics Choice, The Pitt é um caso raro hoje em dia de uma série cuja próxima temporada estreia no ano seguinte à anterior. É cada vez mais comum que a nova leva de episódios demore dois ou mais anos para chegar. Isso se deve a diversos fatores, da pandemia e greves de atores e roteiristas à complexidade dos roteiros e da produção, passando pela demora na aprovação de novas temporadas.
The Pitt foca nos casos médicos e nos problemas do sistema de saúde estadunidense, além de mostrar seu impacto na vida dos médicos e enfermeiros. Vencedor do Emmy e do Critics Choice de melhor ator de série dramática, Noah Wyle, conhecido como o então novato Dr. John Carter em E.R., é o Dr. Michael Robinavitch, ou Dr. Robby, o médico mais experiente do pronto-socorro de um hospital em Pittsburgh. Ao seu lado estão os residentes Dr. Langdon (Patrick Ball), Dra. McKay (Fiona Dourif) e Dra. Mohan (Supriya Ganesh) e os enfermeiros encabeçados por Dana Evans (Katherine LaNasa, ganhadora do Emmy e do Critics Choice de atriz coadjuvante de série dramática), que recebem os estudantes de medicina e internos Whitaker (Gerran Howell), King (Taylor Dearden), Santos (Isa Briones) e Javadi (Shabana Azeez).
“A famosa crise do segundo ano é real. Quando você tem algo tão impactante e bem-sucedido quanto a nossa primeira temporada, é inevitável que seja preciso lidar com as expectativas” Noah Wyle
Na segunda temporada, que se passa em um plantão dez meses depois da primeira, em 4 de julho, o Dia da Independência dos Estados Unidos, os novatos não são mais tão inexperientes. Há dois novos estudantes na equipe, Joy (Irene Choi) e James (Lucas Iverson), além de uma enfermeira recém-formada, Emma (Laetitia Hollard). A Dra. Baran Al-Hashimi (Sepideh Moafi) vem para substituir Robby, que vai sair em sabático.
A ELLE participou de uma rodada de entrevistas com Gemmill, o produtor-executivo John Wells, o roteirista, ator, diretor e produtor-executivo Noah Wyle e membros do elenco.
Katherine LaNasa (à direita), ganhadora do Emmy e do Critics Choice de atriz coadjuvante de série dramática por sua interpretação como Dana Evans
Foto: Warrick Page/MAX
O medo da segunda temporada
Noah Wyle: “A famosa crise do segundo ano é real. Quando você tem algo tão impactante e bem-sucedido quanto a nossa primeira temporada, é inevitável que seja preciso lidar com as expectativas. Devo dizer que John nos aliviou de boa parte dessa pressão logo no início, dizendo: ‘Vocês não precisam fazer algo maior, melhor, mais rápido, mais forte. Só precisam fazer de novo, lembrar o que fizeram da primeira vez, manter-se fiéis aos personagens e ser honestos, e a partir daí, seguir em frente’.”
- Scott Gemmill: “Nós não tomamos uma nova direção com a série. A segunda temporada basicamente é um novo plantão para os médicos e enfermeiros. Só tentamos fazer uma boa temporada com casos e aprofundamento na vida dos personagens. Nós não mudamos nada porque parece estar funcionando. E nós só estamos há 15 horas na vida dessas pessoas, temos muitas histórias para contar.”
“Tentamos nos manter atualizados sobre o que está acontecendo na medicina” Scott Gemmill
De onde vêm os casos e temas da série
Scott Gemmill: “Uma das coisas que fazemos no início do trabalho na nova temporada é nos reunirmos, várias vezes ao dia, com especialistas em diversas áreas, seja anestesiologia, cardiologia ou saúde mental. Perguntamos a eles: ‘O que está acontecendo no seu mundo? Que histórias não estão sendo contadas? Quais vocês acham que deveriam ser?’. E é assim que obtemos as ideias para alguns dos casos médicos. No fim das contas, elas aparecem na narrativa por meio dos nossos personagens e do que está acontecendo com eles. Tentamos nos manter atualizados sobre o que está acontecendo na medicina.”
John Wells: “É importante não seguir o noticiário, que são uma abordagem de cima para baixo, mas sim ouvir quais são as preocupações das pessoas que trabalham na área. É claro que elas também leem as notícias e, às vezes, essas também são as suas preocupações, mas tentamos fugir das manchetes. Infelizmente, há muitas histórias para contar sobre o sistema de saúde estadunidense, que está em crise. E ela não vai melhorar ao tirar de oito a dez milhões de pessoas dos planos de saúde (não há SUS nos Estados Unidos, mas uma lei promovida durante a presidência de Barack Obama oferece planos de saúde por preços um pouco mais baixos; essa lei está constantemente sob ataque pelo Partido Republicano, assim como outras formas de auxílio, incluindo o Medicaid, que atende população de baixa
